quarta-feira, novembro 15, 2017

Tela Super8: Sixpence Nones the Richer - "Kiss Me"

Quando a década de 90 estava chegando ao fim uma música bobinha e bem adolescente chamada "Kiss Me" da banda Sixpence None the Richer pertecente a trilha sonora do filme Ela é Demais (She´s All That, EUA, 1999) de Robert Iscove fez um tremendo sucesso, junto com o filme. Com o passar do tempo, o filme foi se perdendo na memória mas a música continua firme e forte.

sexta-feira, novembro 10, 2017

Lugares Escuros

(Dark Places, EUA/França/Inglaterra, 2015)
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Elenco: Charlize Theron, Nicolas Hoult, Christina Hendricks, Corey Stoll.

Libby Day é uma mulher amargurada que carrega uma cruz pesada diariamente: é a única sobrevivente de uma chacina executada pelo seu irmão que exterminou toda a sua família. Trinta anos depois do pesadelo, Libby recebe a noticia da absolvição de seu irmão, o que faz encarar o calvário e descobrir novos acontecimentos que levaram a tragédia.
O filme de Gilles Paquet-Brenner (A Chave de Sarah) é uma adaptação da mesma autora de A Garota Exemplar, e ambos são semelhantes por ser um suspense que trabalha em verdade e contradições. Mas se David Fincher foi hábil e competente ao expor de forma orgânica as reviravoltas da trama; Brenner não teve tanta sorte em conta de uma montagem sem criatividade, o que é uma pena pois o enredo é muito bom (e o que faz segurar a curiosidade até o fim).

domingo, novembro 05, 2017

Mãe!

(Mother!, EUA, 2017)
Direção: Darren Aronofsky
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer.

Uma jovem esposa tem uma vida aparentemente perfeita: casada com um escritor que ama incondicionalmente, e vivem numa enorme casa antiga. No entanto, a paz é quebrada com a chegada de um medico desconhecido, e a relação entre os dois é posta em cheque.
Se a sinopse acima é simples, o diretor Darren Aronofsky faz questão de virar para o avesso essa concepção com base em muita simbologia e desconforto. Com uma câmera inquieta, o filme acompanha a via-crúcis de uma esposa que faz tudo por amor (que infelizmente não é correspondida), e o pavor de estar perdendo o controle de sua vida pessoal. E como em Cisne Negro, Aronofsky busca inspiração em Roman Polasnki, e fica evidente a citação dos filmes O Bebê de Rosemary e O Inquilino no decorrer da projeção. E o elenco é sensacional em que o ponto alto é a ótima química do casal Jennifer Lawrence e Javier Bardem, mas o que chama atenção mesmo é o ótimo trabalho de som e a bizarríssima trilha sonora de Jóhann Jóhannsson. Mãe! é uma das melhores obras de Aronofsky ao impor uma visão - masculina, sejamos francos - sobre a passionalidade feminina (seja como esposa ou como mãe; como diria o nosso famoso ditado: fazer das tripas coração). Um filme provocativo e sufocante que no fim deixa um gosto triste e amargo na boca.

quarta-feira, novembro 01, 2017

Bingo - O Rei das Manhãs

(Brasil, 2017)
Direção: Daniel Rezende
Elenco: Vladimir Brichta, Leandra Leal, Augusto Madeira, Tainá Müller.

Bingo - O Rei das Manhãs tem a assinatura do seu diretor Daniel Rezende. Um detalhe: mesmo sendo o seu primeiro filme, a obra é um vulcão de energia tal como foi Cidade de Deus a 15 anos atrás no qual Daniel era o montador. E aqui ele encontra o material perfeito ao mostrar a ascensão e queda do primeiro Bozo na versão brasileira. Confissão: admito que quando era pequeno gostava muito desse programa; e essa nostalgia anos 80 causa uma imediata simpatia com a ótima reconstituição de época, em particular brincando com as desqualidades do VHS. E com uma apurada edição, o diretor tem oportunidade de fazer ótimos - e até ousados movimentos de câmera - recordando os bons tempos de Paul Thomas Anderson (Boogie Nights - Prazer Sem Limites). Mas sem dúvida o ponto auto do filme é Vladimir Brichta que mostra na tela uma energia, um carisma sensacional ao dar vida a um homem desesperado pelo reconhecimento. E após o fim de sua exibição, admito que nunca imaginaria que por trás de um singelo programa infantil rolaria tanta anarquia nos seus bastidores.

quarta-feira, outubro 25, 2017

Destaque nos cinemas

BLADE RUNNER 2049
(Canadá/EUA/Inglaterra, 2017) de Dennis Villeneuve
Ficção cientifica. No futuro distante um novo modelo de replicantes existe para combater similares.





DETROIT EM REBELIÃO
(Detroit, EUA, 2017) de Kathryn Bigelow
Drama. Um protesto sobre direitos civis na Detroit de 1967 se transforma numa das mais violentas manifestações nos EUA.



A GUERRA DOS SEXOS
(Battle of the Sexes, EUA/Inglaterra, 2017) de Jonathan Dayton e Valerie Faris
Comédia. Na década de 70, uma grande tenista entra em choque com um colega ex-campeão de tênis ao demonstrar a misoginia no referido esporte.



BOM COMPORTAMENTO
(Good Time, EUA, 2017) de Benny Safdie e Josh Safdie
Suspense. Rapaz tem uma noite bizarra quando tenta livrar o seu irmão da cadeia.

sexta-feira, outubro 20, 2017

Lançamentos em DVD/Blu-Ray

FRANTZ
(França/Alemanha, 2016) de François Ozon
Drama. Noiva de um soldado morto na Primeira Guerra Mundial faz amizade com um rapaz que conheceu o falecido.

domingo, outubro 15, 2017

Tela Super8: American Horror Story, 2ª Temporada

Sempre posto alguma música ligada aos filmes produzidos para o cinema, mas hoje resolvi postar uma hilária cena do seriado American Horror Story, 2ª temporada, em que a atriz Lily Rabe interpreta uma freira boazinha que com o diabo no corpo canta, com muita sensualidade e sarcasmo a música "You Don´t Own Me" de Lesley Gore.


terça-feira, outubro 10, 2017

Como Nossos Pais

(Brasil, 2017)
Direção: Laís Bodanzky
Elenco: Maria Ribeiro, Paulo Vilhena, Clarisse Abujamra, Jorge Mautner.

Como o título já sugere, o novo filme de Laís Bodanzky aborda a relação entre pais e filhos o que é comum na carreira da diretora (Bicho de Sete Cabeças, As Melhores Coisas do Mundo), mas infelizmente a diretora forçou a barra. Ao retratar o mundo virando de cabeça para baixo quando Rosa descobre que o seu pais biológico é outro, além da crise latente do seu casamento e financeiro (que é citado mas nunca concretizado), fica óbvio que Rosa representa o desconforto moral (conservador x liberal) e político (a decepção com o pai biológico que é um politico) que o Brasil sente na conjuntura atual. A personagem de Maria Ribeiro simboliza uma pessoa que vive num casulo e se encontra numa posição desconfortável de sair da tal condução. Ao utilizar a relação familiar como reflexo do Brasil atual, a  diretora realiza um filme irregular no seu ritmo em que algumas cenas deveriam ter ficado na sala de montagem como é o caso a gravada em Brasília. No entanto, a produção é competente e o elenco arrebenta especialmente Clarisse Abujamra e Jorge Mautner, e a produção ganha pontos quando foca em Rosa e o seu desejo de mudar e na relação com os pais. Recapitulando, o filme é positivo quando a Rosa ganha personalidade mas perde-se ao querer se transformar em uma alegoria.

quinta-feira, outubro 05, 2017

O Estranho que Nós Amamos

(The Beguiled, EUA, 2017)
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Colin Farell, Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Elle Fanning.

Faz vinte anos que assisti a primeira adaptação da obra de Thomas Cullinan, em que Clint Eastwood era a vítima algoz de um bando de mulheres em um ótimo trabalho tenso de Don Siegel. E na atual repaginada, Sofia Coppola vai na contramão da obra de 1971, e substitui o suspense misógino por uma visão feminista e pessoal a respeito de um homem sedutor que ao quebrar a ordem e a harmonia de um lar de mulheres desperta nelas sentimentos distintos. Com um roteiro mínimo, a diretora foca todo o potencial através na imagem num belo trabalho de design de produção, e num clima totalmente anticlimático em que a ausência de trilha sonora faz com que a câmera expie uma gama da natureza feminina (a romântica, a autoritária, a sedutora, a infantil) em um ritmo lento recordando Michael Haneke. Mas diferente da mão pesada do cineasta alemão, Sofia consegue imprimir o seu cinema autoral e faz um trabalho frio e ao mesmo tempo sensível sobre a natureza nebulosa do ser humano.

domingo, outubro 01, 2017

Em Ritmo de Fuga

(Baby Driver, Inglaterra/EUA, 2017)
direção: Edgar Wright
Elenco: Ansel Elgort, Lily James, Kevin Spacey, Jon Hamm

Baby é um jovem comum que como todos de sua faixa etária adora música (que serve para diminuir um incômodo auditivo), e uma energia constante (e raciocínio rápido) para realizar feitos notáveis no volante quando o assunto é crime. Mas apesar de tudo, o pobre rapaz tem um nobre coração, e este é remexido pela simpática garçonete Debora transformando em um argumento poderoso para mudar de vida, e uma dor de cabeça para deixar o mundo do crime para trás.
Com um roteiro simples, o estiloso Edgar Wright faz uma obra em que a montagem e a música vivem em harmonia realizando aquele filme pop - além das ótimas cenas de perseguição - recordando demais o ótimo Drive (que eu considero superior a este pelo ar de anos 80 e pelo requinte visual de Refn). E o elenco está bom com destaque para o ator Ansel Wright que demonstra carisma (e uma carinha de anjo que seduz todo mundo), e um surpreendente Jon Hamm que confere humanidade a um criminoso que não deve se meter. Mesmo não sendo tão criativo como Scott Pilgrim Contra o Mundo, Em Ritmo de Fuga é um bom filme pipoca.

segunda-feira, setembro 25, 2017

Destaque nos cinemas

ATÔMICA
(Atomic Blonde, EUA, 2017) de David Leitch
Ação. Durante a Guerra Fria, uma agente secreta tem uma missão a cumprir em Berlim: recuperar dados e investigar o assassinato de um espião.



COMO NOSSOS PAIS
(Brasil, 2017) de Laís Bodanzky
Drama. Ao descobrir a verdadeira identidade de seu pai, Rosa entra em crise familiar e conjugal.




IT: A COISA
(It, EUA, 2017) de Andres Muschietti
Terror. Grupo de amigos retornam a sua cidade natal para caçar uma figura assustadora que assassina crianças.



UMA MULHER FANTÁSTICA
(Una Mujer Fantástica, Chile/Espanha/Alemanha/EUA) de Sebastian Lelio
Drama. Mulher que tem a ambição de ser cantora tem a sua vida abalada com a morte do seu namorado.



AS DUAS IRENES
(Brasil, 2017) de Fabio Meira
Drama. Garota descobre que o seu pai tem uma outra família; e o pior, tem uma outra filha também chamada Irene.



MÃE!
(Mother!, EUA, 2017) de Darren Aronofsky
Terror. Casal recebe visitas inesperadas em sua casa causando atrito e total desconforto.

quarta-feira, setembro 20, 2017

Lançamentos em DVD/Blu-Ray

GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2
(Guardians of the Galaxy Vol. 2, EUA, 2017) de James Gunn
Aventura. Peter Quill e companhia continuam as suas aventuras intergaláticas até aparecer o pai do herói marginal do espaço



CORRA!
(Get Out!, EUA, 2017) de Jordan Peele
Terror. Jovem negro passa por apuros quando é convidado a conhecer os pais de sua namorada branca.




Z - A CIDADE PERDIDA
(The Lost City of Z, EUA, 2016) de James Gray
Aventura. Biografia de uma aventureiro britânico que no inicio do século 20 busca o mítico Eldorado na floresta amazônica.

sexta-feira, setembro 15, 2017

Tela Super8: Goo Goo Dolls - "Iris"

Recordar anos 90 é bom. E escutar a música "Iris" da banda Goo Goo Dolls que faz parte da trilha sonora do bonito filme (e trilha sonora melhor ainda!) Cidade dos Anjos (City of Angels, EUA, 1998) de Brad Silberling. Já animou o meu dia rsrsrs.

domingo, setembro 10, 2017

Homens, Mulheres e Filhos

(Men, Women & Children, EUA, 2014)
Direção: Jason Reitman
Elenco: Adam Sandler, Rosemarie DeWitt, Kaitlyn Dever, Jennifer Gardner

A tecnologia a serviço da solidão. No espaço, um satélite artificial baila solitário registrando a galáxia e enviando sons da maravilhosa vida terrestre. E no Planeta Terra, a chuva de smartphones e afins intensificam o isolamento do homem em seu convívio, particularmente no ambiente familiar. Se o filme de Jason Reitman se torna uma critica óbvia do preço pago pela humanidade a respeito da interferência tecnológica na nossa rotina, a obra caminha para outras direções interessantes: a mesma tecnologia é capaz de sairmos da rotina (a experiência dos casos extraconjugais de um casal); e de inflar as nossas aparências (as rixas entre as garotas, e as experiências sexuais dos adolescentes). Infelizmente o filme perde o bonde no seu final ao impor uma ressaca moral aos "atrevimentos" dos seus personagens, o que acaba se tornando um clone de Beleza Americana.

terça-feira, setembro 05, 2017

Dunkirk

(Inglaterra/EUA/França, 2017)
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Aneurin Barnard, Tom Hardy, Mark Rylance, Kenneth Branagh

Em 1940, 400.000 mil soldados aliados se encontram encurralados pelos nazistas na cidade litorânea francesa Dunquerque (em inglês, Dunkirk), localizada no canal da mancha. E para salvar essa massa humana - maioria britânica - o governo inglês arrisca numa ousada operação. O mesmo que se diga sobre o trabalho do sempre competente Christopher Nolan que relata esse evento através de três pontos de vista distintos: a de um aviador em combate aéreo; um soldado britânico querendo se salvar na costa francesa; e um civil que se arrisca a salvar soldados indo de barco para a França. Com um visual espetacular, o filme é um show mesmo pelo som em que a mixagem sonora se confunde com a ótima trilha sonora de Hans Zimmer (que lembra os trabalhos experimentais do compositor Mica Levi). Também destaca os ótimos enquadramentos de câmera, e pela ausência do patriotismo tão comum nesse gênero, exceto pela última parte (um decepcionante detalhe). E mesmo que tenha poucos diálogos - o seu ponto fraco é ausência de personagens fortes em que as vezes o público fica boiando entre as três estórias - e também passei o filme todo procurando as 400.000 pessoas que parece ter sido esquecida pelo diretor. Mas entre os mortos e feridos, o filme se salva pela ótima produção mas está longe de ser um grande trabalho do diretor.

sexta-feira, setembro 01, 2017

Um Instante de Amor

(Mal de Pierres, França/Bélgica/Canadá, 2016)
Direção: Nicole Garcia
Elenco: Marion Cottilard, Alex Brendemuhl, Louis Garrel, Brigitte Rouan

Na França rural dos anos 50, Gabrielle é uma jovem extremamente impulsiva, e emocionalmente desequilibrada, gerando um grande desconforto a sua rígida família católica. E para dar um basta ao seu inapropriado comportamento, a pobre coitada aceita - na marra - se casar com um estranho, e paciente, pedreiro espanhol José. No decorrer da relação, a moça tem dificuldade para engravidar, obrigando a se internar numa clínica no qual acaba conhecendo - e se apaixonando - por um veterano de guerra.
A diretora Nicole Garcia cai de cabeça no melodrama carregado, e faz um novelão daqueles; mas sempre com muito bom gosto, e um belíssimo visual, além de uma produção caprichada. mas o filme é da sempre ótima Marion Cottilard numa bela homenagem as divas dramáticas da Europa dos anos 50 - e aqui ela dá voz a uma mulher que vive um pesadelo atroz, a de que os seus sentimentos e desejos não serão compreendidos por ninguém.

sexta-feira, agosto 25, 2017

Destaque nos cinemas

EM RITMO DE FUGA
(Baby Driver, Inglaterra/EUA, 2017) de Edgar Wright
Suspense. Jovem motorista se envolve no mundo crime para pagar uma dívida com o seu chefe.



O FILME DA MINHA VIDA
(Brasil, 2017) de Selton Mello
Drama. Jovem em paz com a sua simples rotina leva um baque a respeito de informações sobre o seu ausente pai.



O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS
(Beguiled, EUA, 2017) de Sofia Coppola
Drama. Em plena Guerra da Secessão, a rotina calma de um colégio para garotas é alterada com a chegada de um soldado ferido.







O CORPO ELÉTRICO
(Brasil, 2017) de Marcelo Caetano
Drama. Rapaz que trabalha em uma confecção de roupas, se apaixona por um colega e faz de tudo para chamar a sua atenção.

domingo, agosto 20, 2017

Lançamento em DVD/Blu-Ray

FRAGMENTADO
(Split, EUA, 2017) de M. Night Shyamalan
Suspense. Homem que sofre de múltiplas personalidades decide sequestrar três garotas por um sinistro objetivo.

terça-feira, agosto 15, 2017

Tela Super8: The Verve - "Bittersweet Symphony"

Canção clássica do pop britânico dos anos 90, a ótima música "Bittersweet Symphony" da banda The Verve, faz parte da trilha sonora do filme Segundas Intenções (Cruel Intentions, EUA, 1999) de Roger Kumble - uma versão moderna e atual do clássico da literatura Ligações Perigosas. Mas o que o filme tem de bom mesmo é a ótima trilha sonora.

quinta-feira, agosto 10, 2017

Donnie Brasco

(EUA, 1997)
Direção: Mike Newell
Elenco: Johnny Depp, Al Pacino, Michael Madson, James Russo.

Quem diria que Mike Newell faria um ótimo filme denso após o tremendo sucesso da comédia romântica Quatro Casamentos e Um Funeral (1994). E revestindo sobre o mundo da máfia, a obra é um belo estudo sobre um homem obstinado em sua missão; nesse caso se infiltrar na máfia para conseguir provas de suas ações criminosas. No entanto tudo tem o seu preço: a sua vida pessoal fica em frangalhos, e sua missão se torna cada vez mais perigosa quando se submerge ao universo violento da máfia. E pra completar, um dos mafiosos, Ruggiero, luta por prestígio mas os planos não acontecem como planejado transformando a sua frustração em mais força para atingir os seus objetivos, papel sob medida para um grande Al Pacino. E com uma dupla afiada e uma ótima reconstituição de época (anos 70/80), o diretor britânico conduz tudo com muita segurança e deixou o ótimo elenco brilhar, além de uma montagem eficiente que nunca deixa o ritmo cair. Um ótimo filme para ser redescoberto.

sábado, agosto 05, 2017

Grandes Olhos

(Big Eyes, EUA, 2014)
Direção: Tim Burton
Elenco: Amy Adams, Christoph Waltz, Danny Huston, Krysten Ritter

Um dos poucos dramas da carreira de Tim Burton, Grandes Olhos tem semelhança com o seu único clássico nesse formato, Ed Wood. Ambos falam do mundo da arte, e de protagonistas que vivem a margem da sociedade (o que fica evidente no inicio do filme com a estranha narração em off que depois é esquecida no decorrer da projeção). Grandes Olhos relata o casamento de dois pintores que com o sucesso da arte - estranha - da esposa Margareth mexe com a ambição desmedida do marido Walter, um charlatão, ocasionando um resultado esperado para o público. Se Burton mostra a arte sendo pop, o mesmo deixou de lado de lado a natureza criativa da pintora (o motivo dos olhos grandes é exposto numa única frase). Com um roteiro convencional, o diretor economizou no visual e fez uma obra comportada, sem muita ambição. O mesmo vale para a ótima dupla Amy Adams e Christoph Waltz - se bem que o último mostrou um bom timing cômico na cena do julgamento - uma comédia de tão surreal. Por fim, Grandes Olhos mostra que nem a arte escapa da misoginia.

terça-feira, agosto 01, 2017

Tudo Sobre Minha Mãe

(Todo Sobre Mi Madre, Espanha, 1999)
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Cecilia Roth, Marisa Paredes, Antonia San Juan, Penelope Cruz

Tudo Sobre Minha Mãe é o meu filme preferido do Almodóvar por mostrar de forma inteligente e emocionante que as nossas vidas dão cada volta; em que quando a gente pensa que a nossa vida é ampla do nada uma fase se fecha. É assim com a enfermeira Manuela, uma mulher que decide enfrentar um passado sofrido após a perda abrupta de seu único filho. Ela decide fechar um capitulo de sua estória; no entanto, o destino é irônico e lhe reserva novas possibilidades inesperadas. Um novo capitulo se abre.
Com uma sensibilidade tocante, Almodóvar homenageia dois clássicos americanos: o filme A Malvada; e a peça teatral Um Bonde Chamado Desejo (a frase da peça "sempre confiei na bondade dos desconhecidos" ecoa durante toda a sua projeção). De forma inteligente, o mestre espanhol mistura as duas obras citadas de forma tão orgânica fazendo uma bela homenagem as duas formas de arte.
E Almodóvar continua o mesmo: as cores berrantes se destacam, e a linda trilha sonora ao mesmo tempo sensual e melancólica, expondo maturidade e amadurecimento como artista.
E por fim, um elenco em estado de graça com destaque para a comovente atuação da argentina Cecilia Roth e o alivio cômico Antonia San Juan. Ao tentar homenagear a sua própria mãe, Almodóvar nos brinda a importância da arte em nossas vidas. Vidas tolas, sofridas, amarguradas que só o cinema e o teatro é capaz de proporcionar uma fuga ou encarar a verdade de frente.

terça-feira, julho 25, 2017

Destaque nos cinemas

SOUNDTRACK
(Brasil, 2017) de Bernardo Dutra e Manitou Felipe
Drama. Artista plástico ter permissão para ir a Antártida com o objetivo de buscar inspiração para um novo projeto.


DUNKIRK
(EUA/Inglaterra/França, 2017) de Christopher Nolan
Guerra. No auge da Segunda Guerra Mundial, soldados ingleses são obrigados a evacuar em conta do massivo ataque nazista na França.

quinta-feira, julho 20, 2017

Lançamentos em DVD/Blu-Ray

UM LIMITE ENTRE NÓS
(Fences, EUA, 2016) de Denzel Washington
Drama. Homem amargurado entra em choque com o filho apos este se decidir se tornar um esportista.




A LONGA CAMINHADA DE BILLY LYNN
(Billy Lynn´s Long Halftime Walk, EUA/China, 2016) de Ang Lee
Drama. Jovem soldado é condecorado em um importante evento mas é obrigado a voltar a guerra.




A BELA E A FERA
(Beauty and the Beast, EUA, 2017) de Bill Condon
Infantil. Jovem se sacrifica pelo pai e passa a ter a companhia de uma feroz criatura.Rau

sábado, julho 15, 2017

Tela Super8: Bryan Adams - "Have You Ever Really Loved a Woman?"

Quem nunca nos anos 90 escutou a música "Have You Ever Really Loved a Woman?" do cantor Bryan Adams? Sucesso chiclete na época, e que pertence ao filme que foi sensação em 1994 Don Juan Demarco (EUA, 1994) de Jeremy Leven, Pudera, juntar Marlon Brando e Johnny Depp no elenco tinha que resultar em algo bom.

segunda-feira, julho 10, 2017

Sete Minutos Depois da Meia-Noite

(A Monster Calls, EUA/Espanha, 2016)
Direção: J. A. Bayona
Elenco: Lewis MacDougall, Felicity Jones, Sigourney Weaver, Toby Kebbell

"É a historia de um jovem velho demais para ser criança e nova demais para ser adulta". Essa é a primeira frase do filme e resume bem a sua mensagem. O referido jovem é Connor, um garoto entrando na adolescência que tem uma existência dolorosa: na escola é vitima constante de bullying; em casa testemunha a guerra perdida de sua mãe contra o câncer. E como válvula de escape, ele tem se encontrado com um monstro gigante que tem uma aparência de uma velha árvore. Mas a fantasia desse encontro não representa uma fuga mas uma consciência terrível que o garoto sente perante a sua realidade: dor, raiva, ódio, culpa. Esta incrível produção espanhola é uma grata surpresa ao usar a fantasia para expiar a sofrida passagem da infância para o mundo dos adultos em que o ponto alto é a criativa direção de J. A. Bayona (do ótimo O Orfanato) que não perde o tom, e o ótimo elenco com especial atenção para a comovente atuação do garoto Lewis MacDougall que soube exibir a angústia mas sem cair no piegas. Bom destacar que a produção está fantástica e os efeitos especiais incríveis. Uma bela surpresa.

quarta-feira, julho 05, 2017

Jackie

(EUA/Chile, 2016)
Direção: Pablo Larrain
Elenco: Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Billy Crudup, Greta Gerwig.

Uma das revelações do cinema latino dos últimos anos, o chileno Pablo Larrain, realizador do fantástico Tony Manero e do muito bom No, estreia nos EUA e arrisca ao mexer na biografia de um ícone americano: Jackie Kennedy.
Focado nos 07 dias após o atentado que matou o seu marido, Larrain narra o luto, e a luta de uma mulher que deseja colocar em ordem o caos que a sua vida se encontra naquele momento histórico. Com uma clara inspiração do cinema de Terrence Malick, o filme pode causar estranhamento no seu início (o que é justificado pela situação incômoda da personagem principal), mas com o passar do tempo a narrativa vai fluindo. Da mesma forma se encontra a atuação de Natalie Portman que dá uma visão particular sobre Jackie e não busca ser idêntica a biografada, o que gera desconforto mas depois vai se encaixando, lembrando o que Michelle Williams fez em Sete Dias com Marilyn (mas esta se mostrou mais competente do que Natalie). Com uma boa produção, o destaque do filme fica para a ótima e estranha trilha sonora de Mica Levi (merecidamente indicada ao Oscar) ao imprimir o desconforto de Jackie. Ao utilizar uma narrativa nada convencional, Larrain faz uma obra regular mas demonstra coragem e atitude para sair do lugar comum; de fazer algo diferente. Para mim isso é bastante válido mesmo que o resultado seja um pouco irregular.

sábado, julho 01, 2017

Personal Shopper

(França, 2016)
Direção: Olivier Assayas
Elenco: Kristen Sterward, Anders Danielsen Lie, Lars Eidenger, Nora vön Waldstätten

Maureen é uma personal shopper, uma espécie de assistente de compras responsável em deixar os seus clientes impecáveis para o público. Mas por ironia do destino, Maureen tem mais apreço pela espiritualidade - ela é médium - e espera com ansiedade um contato do irmão falecido. Mas as coisas não acontecem como imaginara. E o mesmo acontece com a direção de Olivier Assayas que estica demais a estória e cria várias camadas (a obsessão do irmão é esquecida com os acontecimentos imprevistos em virtude de uma presença estranha) - o que daria um ótimo trabalho para uma série a lá Netflix. Uma pena pois o diretor mostrou muita habilidade em criar tensão e aflição (a exceção é o segundo encontro do fantasma com a Maureen). E mais uma vez soube explorar o talento de sua nova musa, Kristen Steward, numa interpretação mais calcada nas expressões do que nos diálogos mostrando domínio em cena.
Ao focar no conflito futilidade versus espiritualidade, a obra expõe o pior de ambos os lados. Do primeiro relata que vivemos em um mundo mais corrompido pelo materialismo, apaixonado pela estética. No segundo, o enredo abre brecha pelo preço a pagar, e os dilemas que envolvem o ocultismo. Uma pena que o seu enredo não elaborou melhor uma premissa interessante e intrigante; mas confesso que gostei do filme.

domingo, junho 25, 2017

Destaque nos cinemas

CORRA!
(Get Out, EUA, 2017) de Jordan Peele
Terror. Jovem negro vai a casa dos pais de sua namorada branca e coisas estranham acontecem.






A MULHER-MARAVILHA
(Wonder Woman, EUA, 2017) de Patty Jenkins
Ação. Guerreira amazona sai de seu território e testemunha um mundo a beira de uma terrível guerra.





FRANTZ
(França/Alemanha, 2016) de François Ozon
Drama. Ao se envolver com um rapaz francês, jovem alemã recorda o seu noivo morto no período da Primeira Guerra Mundial.

terça-feira, junho 20, 2017

Lançamentos em DVD/Blu-Ray

LA LA LAND - CANTANDO ESTAÇÕES
(EUA, 2016) de Damien Chazelle
Musical. Uma estória de amor entre um jovem pianista e uma aspirante atriz na cinematográfica cidade de Los Angeles.





SILÊNCIO
(Silence, EUA, 2016) de Martin Scorsese
Drama. Dois jesuítas vão para o Japão feudal em busca de um padre que desertou da Igreja Católica.





A QUALQUER CUSTO
(Hell or High Water, EUA, 2016) de David Mackenzie
Drama. Dois irmãos decidem assaltam bancos para bancar o futuro financeiro de sua família.

quinta-feira, junho 15, 2017

Tela Super8: Madonna - "I'll Remember"

Grande hit dos anos 90, a música "I´ll Remember" de Madonna faz parte da trilha sonora do filme Com Mérito (With Honors, EUA, 1994) de Alek Keshishian, uma dramédia que fez sucesso na época até por conta do seu bom e saudoso elenco, Joe Pesci e Brendan Fraser.

sábado, junho 10, 2017

Cinquenta Tons de Cinza

(Fifty Shades of Grey, EUA, 2015)
Direção: Sam Taylor-Johnson
Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Marcia Gay Harden, Eloise Mumford

O filme Cinquenta Tons de Cinza curiosamente apresenta dois segmentos. O primeiro fala de uma garota tímida, romântica que sonha com uma relação amorosa dos sonhos - e encontra o príncipe encantado: lindo, rico e sadomasoquista! A segunda parte foca no pretendente amoroso da coitada; um rapaz cheio de traumas, desilusões na vida o que responde o fato do homem curtir um sexo mais agressivo, dominar a "presa" - o que gera um misto de curiosidade e pena na garota.
Com um enredo não muito convencional, o filme caminha numa rota desnecessária - cheio de clichês para fazer românticas de plantão fazerem a festa. Com um ar de propaganda de sabonete (a fotografia de Seamus McGarvey é a melhor coisa do filme), a obra naufraga diante de tantas possibilidades: porque não transformar Anastasia em uma garota que busca prazer, as primeiras experiências sexuais através do sadomasoquismo? Mas no fim fica evidente que a obra não se preocupa com o realismo (não acordar de ressaca após vomitar; se envolver com uma pessoa que joga na cara que não presta, e ainda por cima faz contrato de relação com a referida criatura!). Preciso dizer mais algo?

segunda-feira, junho 05, 2017

Logan

(EUA, 2017)
Direção: James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Sienna Novikov, Boyd Holbrook

Finalmente Wolverine ganha um filme de respeito. Mais adulto, extremamente violento e com muitos palavrões, Logan foge completamente dos primeiros filmes que amenizavam a aventura solitária do furioso homem das garras de adamantium - no entanto surpreende pelo tom mais pessimista ao relatar que no futuro bem próximo os mutantes não existem mais - e os poucos sobreviventes são caçados. E cada vez mais fraco, Logan junta as suas últimas forças para proteger um debilitado Professor Xavier, e uma garota que tem o mesmo dom que o protagonista.
Como boa parte da estória se passa na fronteira entre o EUA e o México, o filme mostra o polêmico muro que divide os dois países; e faz uma bela alusão sobre as milícias que atuam na região com o objetivo de inibir a chegada dos imigrantes indesejados. Mas vale destacar que o diretor James Mangold foi extremamente feliz com as caprichadas cenas de ação em que a adrenalina corre solta - e uma violência agressiva que faz lembrar os filmes brucutus dos anos 80. Confesso que o apelo derrotista me chamou atenção e finalmente a obra ganha carga dramática ao enfatizar a sua crítica social (o preconceito, a luta pelos direitos civis); uma característica que toda a saga X-Men carregou. Uma bela surpresa.

quinta-feira, junho 01, 2017

Batman - O Retorno

(Batman Returns, EUA, 1992)
Direção: Tim Burton
Elenco: Michael Keaton, Danny DeVito, Michelle Pfeiffer, Christopher Walker

No seu auge criativo e autoral, Tim Burton retornou ao universo da DC Comics mas com o poder e o prestigio para fazer uma obra toda sua - diferente do primeiro Batman, um tremendo sucesso de marketing mas irregular pois o filme era todo do Coringa de Jack Nicholson. E diante dessa constatação, a sua continuação enfatizou ainda mais os vilões deixando o super-herói em segundo plano. E isso fez muito bem pois Burton ganhou material suficiente para fazer uma adaptação do clássico das estórias em quadrinhos mais anárquica que Hollywood produziu - ouviu Esquadrão Suicida e Deadpool, aprendam. Enquanto o Pinguim representa os excluídos, que se escondem na margem da sociedade; a Mulher-Gato representa a repressão sexual, a desvalorização da mulher na sociedade. E no pacote o diretor ainda coloca palhaços como ajudantes do Pinguim, o que deixa tudo bizarro, reforçando a mensagem freak. E pra completar, o elenco está ótimo (para ninguém sacar a atuação apagada de Michael Keaton), particularmente Michelle Pfeiffer que se encaixou perfeitamente como a Mulher-Gato (no ponto exato entre a repressão e a sensualidade). Incrível sucesso de bilheteria que comprova que artista criativo mais liberdade criativa é uma combinação que sempre cai bem - aprenda Warner.

quinta-feira, maio 25, 2017

Destaque nos cinemas

GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2
(Guardions of the Galaxy, Vol. 2, EUA, 2017) de James Gunn
Aventura. As novas aventuras de um caçador das galáxias (que adora musica dos anos 80) e sua trupe de alienígenas.

O CIDADÃO ILUSTRE
(El Ciudadano Ilustre, Argentina/Espanha, 2016) de Gaston Duprat e Marinao Cohn
Drama. Renomado escritor argentino decide visitar a sua cidade natal e reencontra as pessoas que serviram de inspiração as suas obras.