quarta-feira, agosto 05, 2026

A Odisseia

(The Odissey, Inglaterra/EUA, 2026)
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Charlize Theron.

Ao sair do seu reinado para participar da Guerra de Tróia, o militar estrategista Odisseu embarca numa aventura que envolve seres mitológicos capazes de testar suas habilidades e se afastar de sua terra. E na sua ausência, a rainha Penélope também testada pois ainda tem fé do retorno do seu marido enquanto o reinado está um caos sem a presença de Odisseu. 
Antes de mais nada, A Odisseia tem que ser visto no cinema. Aqui, o mestre Nolan amplifica a experiência cinematográfica através de um trabalho técnico primoroso. A bela fotografia de Hoyte Van Hoytema usa ao máximo as belas locações da Europa ao criar o clima idílico e fantasioso mas sem perder o realismo. Aqui o Imax faz total sentido. No entanto, se filmar em Imax é uma carta na manga, também é um fator limitador pois quebrou o ritmo nas cenas de combate. Mas isso é um detalhe que não estraga a sessão. Outro destaque é a brilhante trilha sonora de Ludwig Goransson que sabe causar tensão no uso de sons tribais algo que a equipe sonora usa com maestria. O grandioso elenco tem boas interpretações em que a Samanta Morton rouba a cena como a deusa feiticeira x  em um dos melhores momentos do filme.  Já Tom Holland é o ponto fraco como uma atuação apagada (o que  ajuda a tornar a história da sua relação com a mãe Penelope em algo desinteressa de narrativa). Mas quando o filme foca nas aventuras (ou tomentos) de Odisseu, a obra cresce. A odisseia do militar é eletrizante e suas interações com seres mitológicos da Grécia Antiga me recordou da minha infância em que filmes épicos passava bastante na sessão da tarde e eu adorava. A Odisseia mexeu na minha memória, e assistir em uma ótima sala de cinema se transformou em uma experiência imersiva e gratificante

sábado, agosto 01, 2026

O Convite

(The Invite, EUA, 2026)
Direção: Olivia Wilde
Elenco: Seth Rogen, Olivia Wilde, Penelope Cruz, Edward Norton.

O casal Joe e Angela convida o casal Hawk e Pina, seu vizinho para um jantar. Desse encontro, Joe e Angela demonstram uma relação desgastada com uma vida que caiu na rotina e na monotonia. E o jantar com os "diferentes" Hawk e Pina confirma esse diagnóstico e acende a luz para uma virada em sua relação. Mas isso só acontece com base em surpresa e constrangimento.
Após o fracasso da ficção científica Não Se Preocupe Querida,  a cineasta/atriz Olivia Wilde retorna ao terreno seguro da comédia. Em seu terceiro filme, a diretora acerta em cheio na adaptação do filme espanhol Sentimental (2020). Em O Convite, a diretora demonstra um incrível domínio de câmera ao filmar um um único cenário e torna a experiência menos teatral e mais cinematográfica. E como no seu primeiro filme, ela pega o nicho particular (no caso de filmes adolescentes em Fora de Série em seu primeiro filme, e aqui os dramas de um casamento). Wilde capta  obras como Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? e injeta um humor ácido sobre a caretice das relações amorosas. Os gritos, o caos continua presente mas sem perder a graça. A trilha sonora de Devonté Hynes  acompanha a turbulenta reunião dos quatro personagens. Mas a cereja do bolo se encontra em seu elenco. Em especial ao núcleo feminina em Penélope Cruz está a vontade como estrangeira liberal (outras palavras "latina"), e a própria Olívia Wilde sabe expor curiosidade e cansaço sem perder a graça. Enfim, O Convite é uma bela surpresa de uma cineasta que amadurece, e que mostra que tem bala na agulha ao focar na comédia da vida privada.

segunda-feira, julho 20, 2026

Destaque nos Cinemas

O CONVITE

(The Invite, EUA, 2026) de Olivia Wilde
Comédia. Casal com a relação desgastada convida os seus vizinhos para um jantar.



A ODISSEIA
(The Odissey, EUA/Inglaterra, 2026) de Christopher Nolan
Ação. Na Grécia antiga, Odisseu volta para a casa após lutar na Guerra de Troia.

quarta-feira, julho 15, 2026

Lançamentos nos Streamings

DEPOIS DE HORAS
(After Hours, EUA, 1985) de Martin Scorsese
HBO Max
Comédia. Jovem editor literário passa por acontecimentos inesperados em uma intensa noite em Nova Iorque.


O DIABO VESTE PRADA 2
(The Devil Wears Prada 2, EUA, 2026) de David Frankel
Disney+
Comédia. Depois de ser demitida, consagrada jornalista retorna a mítica Runway onde foi estagiaria da temível Miranda.


O DRAMA
(The Drama, EUA, 2026) de Kristoffer Borgli
Amazon Prime
Comédia. Prestes a se casar, jovem casal passa por momentos de duvida da união em conta do passado da noiva.
 





EU VI O BRILHO DA TV
(I Saw The TV Glow, EUA, 2024) de Jane Schenbrun
Amazon Prime
Terror. Um adolescente perde a noção da realidade ao se viciar em um programa de televisão.


GRITOS E SUSSUROS

(Viskningar Och Rop, Suécia, 1972) de Ingmar Bergman
Mubi
Drama. Duas irmãs decidem cuidar de sua outra irmã que esta enferma o que alimenta dores pessoais de cada uma.


HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET
(Hamnet, Inglaterra/EUA, 2025) de Chloe Zhao
Amazon Prime
Drama. Mulher se encanta e casa com um jovem que sonha com a vida artística.


PERSONA - QUANDO DUAS MULHERES PECAM
(Suécia, 1966) de Ingmar Bergman
Mubi
Drama. Uma enfermeira cuida de uma atriz que sofreu um choque emocional durante uma apresentação de teatro



O SÉTIMO SELO
(Det Sjunde Imseglet, Suécia, 1957) de Ingmar Bergman
Mubi
Drama. Ao voltar das cruzadas, cavaleiro vê a sua região ser dizimada pela peste e literalmente enfrenta a morte no jogo de xadrez.


A VOZ DE HIND RAJAB
(Sawt Hind Rajad, Tunísia, 2025) de Kaouther Ben Hania
Netflix
Drama. Uma equipe plantonista tenta salvar uma garota que está em um fogo cruzado na Faixa de Gaza.

sexta-feira, julho 10, 2026

Fogo Contra Fogo

(Heat, EUA, 1995)
Direção: Michael Mann
Elenco: Al Pacino, Robert DeNiro, Val Kilmer, Jon Voight.

Neil é um meticuloso assaltante que usa o seu faro e astúcia para mais uma missão: assaltar um banco de Los Angeles. O problema é que em seu caminho cruza com o Tenente Vincent, um policial obstinado e que não dá trégua enquanto não colocar Neil na cadeia. Ao mesmo tempo, o assaltante arranja um relacionamento amoroso, e Vincent sofre como desgaste no seu casamento.
Ao lado dos excelentes O Informante e Colateral, Fogo Contra Fogo é um dos filmes mais cultuados de Michael Man que eu tinha vontade de conferir. E valeu a espera pois o filme de 1995 é um filmaço. Com quase três horas de duração, a estória passa voando graças ao intrigante jogo de gato e rato de dois homens em que os seus atos e a própria personalidade parece se misturar. Aqui, o protagonista e antagonista se entregam de corpo e alma nos seus papéis o que gera uma certa afeição e admiração mútua entre ambos. A inteligente fotografia de Dante Spinotti expõe uma fotografia de cartão postal de Los Angeles de dia, e ao mesmo tempo brinca com sombras nas cenas noturnas. Aqui, Vincent e Neil vivem no mesmo microcosmo. Em compensação a trilha sonora de Elliot Goldenthal é bem anos 1990, o que é estranho pois Goldenthal é um autor competente. Mas é a super aguardada união de astros Al Pacino e Robert DeNiro que elevam o patamar do filme. Se DeNiro expõe com naturalidade a inteligência, virilidade e vulnerabilidade de Neil tornando o antagonista não em um monstro mas em um homem obstinado ao se colocar no outro lado da lei. Já Pacino vive um policial cansado mas ao mesmo tempo uma panela de pressão prestes a explodir. E nesse ponto é inegável não recordar os maneirismos de Nicolas Cage o que gera uma certa distração em cena. Mesmo assim o ator está sensacional no papel principal. Fogo Contra Fogo é uma bela mistura da grandiloquência do cinema épico com o gênero policial típico dos anos 1990 (que estava em alta na época).

domingo, julho 05, 2026

Dia D

(Disclosure Day, EUA, 2026)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Josh O´Connor, Emily Blunt, Colin Firth, Colman Domingo.

Um programador cibernético chamado Daniel descobre um segredo de estado ocasionando em sua  caçada por um grupo da defesa dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, uma apresentadora de notícias apresenta sintomas bizarros da noite para o dia. Do nada, ela consegue decifrar a intimidade toda a sua volta. E o seu destino vai se cruzando com a de Daniel o que pode alterar o futuro da humanidade.
Quase vinte anos depois de A Guerra dos Mundos, o mestre Spielberg volta aos seus temas preferidos: uma ficção científica sobre alienígenas. em Dia D, o diretor foca no reflexo dos Estados Unidos trumpista: religião, mídia, tecnologia e o autoritarismo. O problema é que o diretor foi fantasioso e raso demais em sua pontaria. Como disse acima, religião, mídia, tecnologia e totalitarismo são tocados no enredo mas nunca aprofundados. Uma mera nota de rodapé. Assim, o velho e conhecida escapismo tradicional do diretor dos anos 1980/1990 é jogado na tela sem cerimônia. E isso pode dividir o público que busca algo com  mais consistência. Mas para quem procura um filme pipoca, Dia D é o seu programa. Particularmente, Dia D soa como filme de ação com capa de ficção científica mas que não condiz com um mundo maluco de hoje que se preocupa mais com a última polêmica da Virgínia Fonseca do que a existência de ETs. Aqui, Spielberg se fechou em sua bolha e não soube criar uma ficção científica reflexiva. Uma pena.