sexta-feira, julho 10, 2026

Fogo Contra Fogo

(Heat, EUA, 1995)
Direção: Michael Mann
Elenco: Al Pacino, Robert DeNiro, Val Kilmer, Jon Voight.

Neil é um meticuloso assaltante que usa o seu faro e astúcia para mais uma missão: assaltar um banco de Los Angeles. O problema é que em seu caminho cruza com o Tenente Vincent, um policial obstinado e que não dá trégua enquanto não colocar Neil na cadeia. Ao mesmo tempo, o assaltante arranja um relacionamento amoroso, e Vincent sofre como desgaste no seu casamento.
Ao lado dos excelentes O Informante e Colateral, Fogo Contra Fogo é um dos filmes mais cultuados de Michael Man que eu tinha vontade de conferir. E valeu a espera pois o filme de 1995 é um filmaço. Com quase três horas de duração, a estória passa voando graças ao intrigante jogo de gato e rato de dois homens em que os seus atos e a própria personalidade parece se misturar. Aqui, o protagonista e antagonista se entregam de corpo e alma nos seus papéis o que gera uma certa afeição e admiração mútua entre ambos. A inteligente fotografia de Dante Spinotti expõe uma fotografia de cartão postal de Los Angeles de dia, e ao mesmo tempo brinca com sombras nas cenas noturnas. Aqui, Vincent e Neil vivem no mesmo microcosmo. Em compensação a trilha sonora de Elliot Goldenthal é bem anos 1990, o que é estranho pois Goldenthal é um autor competente. Mas é a super aguardada união de astros Al Pacino e Robert DeNiro que elevam o patamar do filme. Se DeNiro expõe com naturalidade a inteligência, virilidade e vulnerabilidade de Neil tornando o antagonista não em um monstro mas em um homem obstinado ao se colocar no outro lado da lei. Já Pacino vive um policial cansado mas ao mesmo tempo uma panela de pressão prestes a explodir. E nesse ponto é inegável não recordar os maneirismos de Nicolas Cage o que gera uma certa distração em cena. Mesmo assim o ator está sensacional no papel principal. Fogo Contra Fogo é uma bela mistura da grandiloquência do cinema épico com o gênero policial típico dos anos 1990 (que estava em alta na época).

domingo, julho 05, 2026

Dia D

(Disclosure Day, EUA, 2026)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Josh O´Connor, Emily Blunt, Colin Firth, Colman Domingo.

Um programador cibernético chamado Daniel descobre um segredo de estado ocasionando em sua  caçada por um grupo da defesa dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, uma apresentadora de notícias apresenta sintomas bizarros da noite para o dia. Do nada, ela consegue decifrar a intimidade toda a sua volta. E o seu destino vai se cruzando com a de Daniel o que pode alterar o futuro da humanidade.
Quase vinte anos depois de A Guerra dos Mundos, o mestre Spielberg volta aos seus temas preferidos: uma ficção científica sobre alienígenas. em Dia D, o diretor foca no reflexo dos Estados Unidos trumpista: religião, mídia, tecnologia e o autoritarismo. O problema é que o diretor foi fantasioso e raso demais em sua pontaria. Como disse acima, religião, mídia, tecnologia e totalitarismo são tocados no enredo mas nunca aprofundados. Uma mera nota de rodapé. Assim, o velho e conhecida escapismo tradicional do diretor dos anos 1980/1990 é jogado na tela sem cerimônia. E isso pode dividir o público que busca algo com  mais consistência. Mas para quem procura um filme pipoca, Dia D é o seu programa. Particularmente, Dia D soa como filme de ação com capa de ficção científica mas que não condiz com um mundo maluco de hoje que se preocupa mais com a última polêmica da Virgínia Fonseca do que a existência de ETs. Aqui, Spielberg se fechou em sua bolha e não soube criar uma ficção científica reflexiva. Uma pena.

quarta-feira, julho 01, 2026

Natal Amargo

(Amarga Natividad, Espanha, 2026)
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Barbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Aitana Sánchez-Gijón, Victoria Luengo.

Uma cineasta sofre um terrível enxaqueca e isso tem uma ligação com a recente perda de sua mãe. E essa história pertence ao cineasta Raul, um brilhante diretor que está em baixa e que decide usar os acontecimentos de sua volta como inspiração para um roteiro que promete ser o seu grande retorno no cinema.
Ao assistir Natal Amargo fiquei com a impressão que Almodóvar retorna ao assunto da morte uma ligação o seu filme anterior o belo O Quarto ao Lado. Na sua volta a Espanha, o mestre faz mais uma revigorante obra em que toca sobre a dor do luto e do nada aborda os desafios da criação de roteiro em que personagem principal, Raul, é um deus ex machina que se aproveita dos acontecimentos da sua volta como inspiração a sua nova criação. Isso acaba se tornando o calcanhar de Aquiles do filme. Almodóvar vai despachando tanta coisa na tela que perde o foco principal. Mas Natal Amargo está longe de ser um desastre. Pelo contrário, o diretor espanhol mostra domínio narrativo e ainda tira sarro de sua filmografia. Aqui temos notas de Carne Trêmula, Má Educação, e Dor e Glória. E a trilha sonora de Alberto Iglesias continua afiada dando drama e tensão na medida. A fotografia de Pau Esteve é elegante mas respeitando o tom colorido do mestre espanhol. Natal Amargo é um filme que brinca com o cinema e mostra uma arte cheia de contradição em que a dor pessoal se mistura com um jogo de vaidades.

sábado, junho 20, 2026

Destaques nos Cinemas

DIA D
(Disclosure Day, EUA, 2026) de Steven Spielberg
Ficção cientifica. Coisas estranhas acontecem de repente e isso é resultado de segredos militares a respeito de seres extraterrestres.

segunda-feira, junho 15, 2026

Lançamentos nos Streamings

AVATAR: FOGO E CINZAS
(Avatar: Fire and Ash, EUA, 2025) de James Cameron
Disney+
Ação. Após sobreviver a o mundo da água, o casal de protagonista embarcam em uma missão para o lado quente do planeta.


O CASAMENTO DE RACHEL
(Rachel Getting Married, EUA, 2009) de Jonathan Deme
Netflix
Drama. Recém saída de uma habilitação, jovem vai ao casamento de sua irmã e dores familiares afloram.

FLASHDANCE
(EUA, 1983) de Adrian Lyne
Netflix
Musical. Jovem metalúrgica tem o sonho de se tornar uma bailarina.







ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ
(No Country For Old Men, EUA, 2007) de Ethan e Joel Coen
Netflix
Suspense. Homem se mete numa cilada e é perseguido por um pistoleiro após roubar uma mala de dinheiro.

PARIS, TEXAS

(Alemanha/EUA, 1984) de Win Wenders
Mubi
Drama. Homem sem memória anda pelo deserto dos EUA até ser encontrado pelo irmão.


TWINLESS: UM GÊMEO A MENOS
(EUA, 2025) de James Sweeney
HBO Max
Drama. Em luto pela perda do irmão gêmeo, jovem encontra o conforto em um grupo que lida com a mesma situação.


VERÃO 1993

(Estiu 1993, Espanha, 2017) de Carla Simón
Mubi
Drama. Traumatizada pela morte dos pais, a criança é adotada pelos tios.

quarta-feira, junho 10, 2026

Obsessão

(Obsession, EUA, 2026)
Direção: Curry Barker
Elenco: Michael Johnson, Inde Navarrette, Cooper Tomlinsom, Megan Lawless.

Jovem extremamente tímido sofre por uma paixão platônica por Nikki, sua colega de trabalho. Após receber notícias que sua amada pedirá demissão, Bear fica tenso. E nesse tempo ele encontra uma varinha mágica que realiza todos os desejos. Como uma criança boba, Bear compra o produto e deseja o amor de Nikki. E o feitiço se concretiza mas não da forma como desejado pois a nova namorada apresenta um comportamento cada vez mais imprevisível e violento tornando o relacionamento dos sonhos em verdadeiro pesadelo.
Em sua estreia nos cinemas, Curry Barker surpreende ao realizar um terror que se agarra no desconforto do que em meros sustos. Aqui, o comportamento bizarro de Nikki representa o horror da falta do livre arbítrio. De uma pessoa que perdeu total controle de si mesmo. Assim, Barker mistura elementos com terror, drama e humor em que o absurdo é uma realidade verossímil se mistura. Mas se a produção de 750 mil dólares é uma grata surpresa é na incrível atuação de Inde Navarrette que mostra o seu ponto alto. Navarrette transforma Nikki não em um monstro mas em uma infeliz que encontra um triste destino nas mãos de um cara que não cresceu. Aqui, Navarrette vai da doçura a psicopatia com uma uma naturalidade impressionante. Assim, Obsessão não aborda o cuidado com o que deseja mas vai fundo nas consequências de um relacionamento que nunca existiu... e que nem deveria existir.