sexta-feira, junho 05, 2026

Michael

(EUA, 2026) 
Direção: Antoine Fuqua
Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Miles Teller, Jayden Harville.

Dos anos 1960 até o fim da década de 1980, o cantor Michael Jackson se transforma de menino protegido da música ao rei do pop absoluto. Mas para chegar ao topo ele só não enfrentou o temível mundo do entretenimento mas teve que encarar uma fera que fez o seu destino: o pai. 
No interminável mundo das cinebiografias musicais chapa branca era questão de tempo surgir a ingrata missão sobre o rei do pop Michael Jackson. E na adaptação do cineasta regular Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) foge-se de temas espinhosos e polêmicos, e foca totalmente na ascensão de Jackson, e ao mesmo tempo tudo se resume na relação abusiva do protagonista com seu pai que via na sua própria prole um produto ao invés de seres humanos. E a produção reflete o pensamento de Joe Jackson e foi fundo no PRODUTO pois a obra é uma sucessão fantástica de grandes hits mas sem aprofundar quem foi o protagonista, e muito menos na criação das canções. Tudo aqui soa raso e rápido. A cronologia dos fatos é jogada na tela de qualquer jeito, e a síndrome de Peter Pan de Michael é o puro suco do clichê. O que é uma pena pois a obra conseguiu encontrar no sobrinho do Michael Jackson o ator perfeito para o papel. A semelhança física e a voz de Jaafar Jackson é de cair o queixo, pena que o roteiro preguiçoso dilui a oportunidade de decifrarmos quem é o Michael de verdade. O que fica aqui é apenas uma Coca-Cola para o público degustar.

segunda-feira, junho 01, 2026

O Diabo Veste Prada 2

(The Devil Wears Prada 2, EUA, 2026)
Direção: David Frankel
Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci, Emily Blunt.

Após 20 anos de sua experiência na Runaway, Andrea se torna uma jornalista séria e consagrada. Mas após ser demitida via mensagem de texto, surge um novo emprego justamente na revista da temida Miranda Priestley que passa por dificuldades em uma época de redes sociais influenciadores.
Uma comédia despretensiosa mas com muitas qualidades, o primeiro O Diabo Veste Prada se tornou um clássico com o passar do tempo, e após vinte anos ganhou uma continuação. E isso fez um tremendo bem a parte 2 pois a equipe jogou os mesmos personagens (e queridos) em um mundo muito diverso de 2006. Agora a perigosa e futilidade dos cliques digitais e influenciadores denominam o sucesso na mídia. E o poder da mítica personagem de Meryl Streep bate de frente a um mundo que automatizou o entretenimento da moda. E isso dá um tremendo frescor a continuação mas carece de charme (e da originalidade do primeiro filme). Mesmo que apresente a sintonia do original existe um certo incomoda como os personagens que não parecem ter amadurecimento esse longo período de tempo. Especialmente a Andrea que ainda se comporta como a estagiária de 20 anos atrás - o que não reflete na jornalista consagrada no meio. E mesmo pecando na autorreferência o filme diverte pois os personagens clássicos tem o seu charme. A Miranda continua ácida, a Andrea idealista, a Emily ambiciosa e o maduro Nigel. O mundo mudou nos editoriais mas a marcante personalidade dos que estão por trás das informações ainda fazem diferença. Até agora.

quarta-feira, maio 20, 2026

Destaques nos Cinemas

HOKUM: O PESADELO DA BRUXA

(EUA, 2026) de Damiam McCarthy
Terror. Após a morte dos pais, escritor decide jogar as cinzas em um hotel bastante misterioso.



NATAL AMARGO
(Amarga Navidad, Espanha, 2026) de Pedro Almodóvar
Drama. Um cineasta em crise e uma publicitaria em luto tem os seus destinos cruzado no natal.

sexta-feira, maio 15, 2026

Lançamentos nos Streamings

BUGONIA
(EUA, 2025) de Yorgos Lanthimos
Amazon Prime
Suspense. Dois jovens obcecados em paranoias sequestra uma executiva por achar que esta é uma alienígena.

ESTOMAGO
(Brasil, 2007) de Marcos Jorge
Netflix
Drama. Na prisão, homem demonstra um dom quase sobrenatural na culinária que reverbera na hierarquia local.


FAÇA A COISA CERTA
(Do the Right Thing, EUA, 1989) de Spike Lee
Mubi
Drama. Em uma Nova Iorque de 40 graus de temperatura vê um bairro pegar fogo em conta das atitudes racistas de um restaurante italiano.


A GRAÇA
(La Grazia, Itália, 2025) de Paolo Sorrentino
Mubi
Drama. No fim do mandato, o presidente da Itália passa por dilemas morais e éticos.

JUDAS E O MESSIAS NEGRO
(Judas and the Black Messiah, EUA, 2021) de Shaka King
HBO Max
Policial. Policial negro passa por um difícil dilema: se aproximar e criar uma emboscada de um ativista negro que está irritando as autoridades americanas nos EUA da década de 1960.


SCARFACE
(EUA, 1983) de Brian DePalma
Netflix
Policial. Fugindo de Cuba e com muita sede de viver o sonho americano, homem não mede esforço até se transformar num chefão do tráfico de drogas.


SOCORRO!
(Send Help, EUA, 2026) de Sam Raimi
Disney+
Comédia. Patrão e empregada colocam a sua hierarquia em cheque após sobreviver em um acidente aeronáutico no meio do Oceano Pacifico.


O TESTAMENTO DE ANN LEE
(The Testament of Ann Lee, EUA, 2025) de Mona Fastvold
Disney+
Musical. Nos EUA colonial, uma jovem britânica cria uma seita em que esta é considerada uma nova messias.


TUDO SOBRE MINHA MÃE

(Todo Sobre Mi Madre, Espanha, 1999) de Pedro Almodóvar
Mubi
Drama. Após a morte do filho, mulher volta a Barcelona para exorcizar o passado.

domingo, maio 10, 2026

A Semente do Fruto Proibido

(Dane-ye Anjir-e Ma´abed, Irã/Alemanha, 2024)
Direção: Mohammad Rasoulouf
Elenco: Misagh Zare, Soheila Golestani, Mahsa Rostami, Setareh Maleki.

No Irã tumultuado por causas dos protestos da população contra a repressão política, a família de Iman ganha a boa notícia da sua promoção para o cargo de juiz. No entanto, uma amiga de Rezvan, a filha mais velha de Iman, participa das manifestações e desaparece. E esse fato desencadeia atritos entre o pai leal ao Estado e a filha que questiona o sistema. E a relação familiar se agrava quando o revólver de Iman desaparece e o senso de desconfiança e paranóia se instala no ambiente 
O mestre do cinema político - o grego Costa Gravas - ficaria orgulhoso de A Semente do Fruto Proibido. Aqui, o cineasta iraniano Mohammad Rasoulouf faz uma aula de um thriller político em que o drama e a atenção não dão trégua ao espectador. E se vivemos num mundo que famílias e amigos se gladiam em nome de um mundo bipolarizado politicamente, a realidade iraniana atual o tema ganha um outro contexto. Ao misturar ficção e realidade através de filmagens verídicas via celular, Rasoulouf mostra o sistema teocrático dos aiatolás em ruínas. O sistema entrou em choque com um mundo que luta por mais direitos e principalmente liberdade. E a família do protagonista Iman reflete esse cosmo em que as mulheres começam a se rebelar contra o patriarcado. Assim,  A Semente do Fruto Proibido é um denso jogo de gato e rato e joga o espectador no lugar das mulheres e o sentimento da repressão (por causa do simples do véu) de forma visceral. Assim, A Semente do Fruto Proibido já se torna um clássico do cinema moderno e expõe toda a força do cinema como uma arma política.  Contrariando Win Wenders  (algo que não consigo compreender até hoje).

terça-feira, maio 05, 2026

O Drama

(The Drama, EUA, 2026)
Direção: Kristoffer Borgli
Elenco: Robert Pattinson, Zendaya, Alana Haim, Mamoudou Athie.

Charlie e Emma formam um casal de apaixonados que estão se preparando para o seu casamento. E faltando uma semana para festa, a dupla e seu padrinho e madrinha de casamento se reúnem para uma noite de diversão. Mas o encontro não termina nada bem com a confissão chocante da noiva sobre o seu passado deixando Charlie em dúvida a respeito do matrimônio.
O novo filme de Kristoffer Borgli poderia ser facilmente chamado de O Suspense pela tensão constante que gera ao público. Mas O Drama vem a calhar ao mostrar a cultura do julgamento, um tema totalmente atemporal. Mas o filme apresenta como grande trunfo a sua montagem fragmentada em que joga (e mistura) o telespectador o passado de Emma e angústia de Charlie em lidar com uma situação que lhe parece fora de alcance. Também gostei do roteiro que tem bala na agulha para explorar outros temas com a fragilidade na adolescência mas sem perder do seu tópico principal. O elenco arrasa em que Robert Pattinson surpreende ao da vida a um bobalhão neurótico e Alana Haim rouba a cena como a madrinha hipócrita e que alimenta as paranóias de Charlie.  Assim, O Drama usa o desconforto, angústia, paranoia (de uma forma leve) de uma sociedade hipócrita que escolhe quem deve ser a mira do julgamento e cancelamento.