sábado, outubro 10, 2026

Rede de Intrigas

 
(Network, EUA, 1976)
Direção: Sidney Lumet
Elenco: Peter Fincher, Faye Dunaway, William Holden, Robert Duvall.

Na briga feroz pela audiência, o veterano jornalista Howard que trabalha a décadas no canal UBS é demitido por não gerar lucro a empresa. E na sua última apresentação este se descontrola ao vivo e informa que se matará. A notícia atrai a atenção da mídia e principalmente da executiva Diane que vê no comportamento instável de Howard uma oportunidade de criar um programa que finalmente renderá bons números de audiência. Toda essa situação é testemunhado por Max, um ex-chefe de jornalismo que vê nesses fatos o declínio do setor.
Os Estados Unidos da década de 1970 era um bagunça: inflação, violência, derrota no Vietnã, impeachment do presidente. E Rede de Intrigas representou esse caos com uma consistência impressionante e muito carisma. O filme do mestre Sidney Lumet reflete a sua filmografia desse período em que este expõe o desencanto americano com um senso crítico apurado, e em Rede de Intrigas ele leva essa visão. Aqui, ele transforma uma rede de televisão em uma empresa que passa dos limites morais e éticos em nome do lucro. E um dos seus funcionários com sérios problemas de saúde mental se transforma em um falso profeta em nome da alta audiência. Lumet faz uma crítica desconcertante - e infelizmente mais atual que nunca sobre o uso da fé alheia em nome do dinheiro. Com um roteiro matador de Paddy Chayesfsky, o enredo não pouco a ninguém, incluindo uma hilária participação de grupos revolucionários de esquerda no capitalismo selvagem. E para completar, o elenco dá uma aula em que Peter Fich e Faye Dunaway estão sensacionais em personagens que assustam nas suas atitudes e nos dá pena pela apatia alheia. Enfim, um clássico atemporal que reforça a ideia da exploração das nossas vulnerabilidades em tempos difíceis.

segunda-feira, outubro 05, 2026

Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

(Teenage, Sex and Death At Camp Miasma, EUA, 2026)
Direção: Jane Schoenbrun
Elenco: Hannah Einbinder, Gillian Anderson, Jack Haven, Amanda Fix.

A jovem cineasta Kris se dirige para um remoto acampamento onde vive a estrela do clássico terror, Acampamento Miasma, Billy Presley. Fascinada pelo filme do horror, Kris tem a missão de realizar uma nova releitura do clássico e justifica a sua visita a reservada atriz como pretexto para conhecer melhor a protagonista. Mas o encontro alimenta discussões sobre o cinema slasher, sexualidade e suas próprias angústias.

Em seu segundo filme, a cineasta Jane Schoenbrun faz um filme que todo cinéfilo fica empolgado. Se na sua obra anterior, Eu Vi o Brilho da TV, a diretora era Lynchiana ao extremo ao usar o terror como alegoria sobre a busca de identidade. Em Acampamento Miasma, ela dobra aposta e realiza uma insólita homenagem aos filmes slasher, em especial Sexta-Feira 13. Aqui, a personagem cineasta tem a obsessão pelo gênero como uma fuga as suas angústias particulares. E como total surpresa a diretora continua citando David Lynch mas neste caldo ela joga Persona e Crepúsculos dos Deuses ao registar a relação de Kris e Billy. Gilliam Anderson está ótima à lá Norma Desmond. E do Bergman vem das personas das duas protagonistas que parecem se misturar. E a diretora faz tudo isso como a segurança e propriedade. Assim, Jane Schoenbrun é uma inovação do cinema estadunidense que se concretiza. E se ela se dá bem com a sua assinatura; Schoenbrun tem grande chance de explorar novos mundos com encanto. Algo que o seu mestre conseguiu nos belos O Homem Elefante e A História Real.

quinta-feira, outubro 01, 2026

Resident Evil

(EUA, 2026)
Direção: Zach Cregger
Elenco: Austin Abrams, Paul Walter Hauser, Zach Cherry, Kali Reis.

Brian é um jovem que trabalha como freelancer em transportar órgãos humanos para os hospitais. E com dificuldades financeiras somado a uma relação frágil com a sua namorada, Brian aceita uma missão que ele tem consciência que não tem condições de atender. Mas o dinheiro falou mais alto que sua indisponibilidade. O problema é que no meio da missão ele depara com uma mulher que virou zumbi.
O diretor Zach Cregger está tomando a dianteira do mundo do terror ao sair do óbvio em suas produções. Mais uma coisa ele deixa claro em seus filmes: o senso de humor. Cregger quebra a tensão explorando o absurdo das situações. E o diretor sabe explorar o suspense em cena. outro ponto curioso: o diretor inseriu o contexto da frágil questão trabalhista atual com a exploração dos trabalhos autônomos. Assim, na sua adaptação de Resident Evil, ele foge do universo de P. T. W. Anderson e cai de cabeça no clássico O Enigma do Outro Mundo. Aqui, o diretor explora bem suspense e imagens grotescas a lá John Carpenter. E a trilha sonora da dupla Hays e Ryan Holladay eleva atenção. Distanciando do ótimo A Hora do Mal, Cregger explora outra narrativa na adaptação do videogame e demonstra competência e segurança para uma obra de terror.

domingo, setembro 20, 2026

Destaque nos Cinemas

RESIDENT EVIL
(EUA, 2026)  de Zach Cregger
Terror. Em uma simples entrega de uma encomenda, funcionário de um hospital tenta sobreviver ao caos nas ruas.

quarta-feira, setembro 16, 2026

Lançamentos nos Streamings

FILHOS DA ESPERANÇA

(Children of Men, EUA,2006) de Alfonso Cuaron
Mubi
Ficção cientifica. No futuro apocalíptico, a descoberta de uma mulher grávida gera conflitos e perseguições.



NO CAMINHO
(En El Camino, México, 2026) de David Pablos
HBO Max
Drama. Jovem andarilho faz amizade com um caminhoneiro nas estradas perigosas do México.

A PONTE DO RIO KWAI
(The Brigde on the River Kwai, Inglaterra/EUA, 1957) de David Lean
Netflix
Guerra. Na Segunda Guerra Mundial, britânicos e japoneses traçam um jogo de gato e rato ao construir uma ponte.




SERPICO
(EUA, 1973) de Sidney Lumet
Netflix
Policial. Jovem policial honesto bate de frente com a polícia corrupta de Nova Iorque da década de 1970.


O SEXTO SENTIDO
(The Six Sense, EUA, 1999) de M. Night Shymalan
Netflix
Suspense. Psicólogo tenta ajudar um menino que tem o dom de ver mortos.


TOY STORY 5
(EUA, 2026) de Andrew Stanton e McKenna Harris
Disney+
Animação. Os famosos brinquedos da Pixar se sentem ameaçados com o surgimento de um tablet infantil.

quinta-feira, setembro 10, 2026

Eu Vi o Brilho da TV

(I Saw The TV Glow, EUA, 2024)
Direção: Jane Schoenbrun
Elenco: Justice Smith, Brigette Lundy-Paine, Ian Foreman, Helena Howard.

Owen é um garoto triste mas que encontra empatia em uma colega mais velha da escola, Maddy. Ambos interagem pois descobrem algo em particular: a série de televisão The Pink Opaque. Por ser uma série adulta estes assistem escondidos o que gera uma forte conexão. Mas com o passar do tempo os dois compartilham sentimentos conflitantes em relação a sexualidade e identidade. E isso gera um tremendo desconforto no decorrer da vida de Owen.
Instigante estreia da cineasta Jane Schoenbrun em que ela mistura de forma muito bem realizada drama, suspense e terror. Aqui, a diretora bebe direto da fonte surrealista de David Lynch o que gera cenas de uma beleza mas também uma melancolia palpável. As cores neon, os efeitos visuais práticos e a fotografia extremamente colorida camufla a tristeza do dois principais personagens. Aqui, Owen e Maddy escondem sua identidade e inseguranças através da fixação de uma série de televisão adulta. O roteiro poderia muito bem realizar uma critica dos efeitos da televisão nos jovens mas Eu Vi o Brilho na TV caminha em outra rota. Por se passar nos anos 1990, a televisão representa uma válvula de escape de pessoas que querem se entender no mundo. Os personagens da série que Owen e Maddy amam refletem as angústias e escondem a violência que os cercam. Com lindas sequências visuais, a diretora faz um belo filme em que a década de 1990 é palpável e o sentimento de não pertencimento em uma época ainda calcada no forte preconceito é o mote de sonho e pesadelo.