sábado, outubro 10, 2026

Rede de Intrigas

 
(Network, EUA, 1976)
Direção: Sidney Lumet
Elenco: Peter Fincher, Faye Dunaway, William Holden, Robert Duvall.

Na briga feroz pela audiência, o veterano jornalista Howard que trabalha a décadas no canal UBS é demitido por não gerar lucro a empresa. E na sua última apresentação este se descontrola ao vivo e informa que se matará. A notícia atrai a atenção da mídia e principalmente da executiva Diane que vê no comportamento instável de Howard uma oportunidade de criar um programa que finalmente renderá bons números de audiência. Toda essa situação é testemunhado por Max, um ex-chefe de jornalismo que vê nesses fatos o declínio do setor.
Os Estados Unidos da década de 1970 era um bagunça: inflação, violência, derrota no Vietnã, impeachment do presidente. E Rede de Intrigas representou esse caos com uma consistência impressionante e muito carisma. O filme do mestre Sidney Lumet reflete a sua filmografia desse período em que este expõe o desencanto americano com um senso crítico apurado, e em Rede de Intrigas ele leva essa visão. Aqui, ele transforma uma rede de televisão em uma empresa que passa dos limites morais e éticos em nome do lucro. E um dos seus funcionários com sérios problemas de saúde mental se transforma em um falso profeta em nome da alta audiência. Lumet faz uma crítica desconcertante - e infelizmente mais atual que nunca sobre o uso da fé alheia em nome do dinheiro. Com um roteiro matador de Paddy Chayesfsky, o enredo não pouco a ninguém, incluindo uma hilária participação de grupos revolucionários de esquerda no capitalismo selvagem. E para completar, o elenco dá uma aula em que Peter Fich e Faye Dunaway estão sensacionais em personagens que assustam nas suas atitudes e nos dá pena pela apatia alheia. Enfim, um clássico atemporal que reforça a ideia da exploração das nossas vulnerabilidades em tempos difíceis.

segunda-feira, outubro 05, 2026

Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

(Teenage, Sex and Death At Camp Miasma, EUA, 2026)
Direção: Jane Schoenbrun
Elenco: Hannah Einbinder, Gillian Anderson, Jack Haven, Amanda Fix.

A jovem cineasta Kris se dirige para um remoto acampamento onde vive a estrela do clássico terror, Acampamento Miasma, Billy Presley. Fascinada pelo filme do horror, Kris tem a missão de realizar uma nova releitura do clássico e justifica a sua visita a reservada atriz como pretexto para conhecer melhor a protagonista. Mas o encontro alimenta discussões sobre o cinema slasher, sexualidade e suas próprias angústias.

Em seu segundo filme, a cineasta Jane Schoenbrun faz um filme que todo cinéfilo fica empolgado. Se na sua obra anterior, Eu Vi o Brilho da TV, a diretora era Lynchiana ao extremo ao usar o terror como alegoria sobre a busca de identidade. Em Acampamento Miasma, ela dobra aposta e realiza uma insólita homenagem aos filmes slasher, em especial Sexta-Feira 13. Aqui, a personagem cineasta tem a obsessão pelo gênero como uma fuga as suas angústias particulares. E como total surpresa a diretora continua citando David Lynch mas neste caldo ela joga Persona e Crepúsculos dos Deuses ao registar a relação de Kris e Billy. Gilliam Anderson está ótima à lá Norma Desmond. E do Bergman vem das personas das duas protagonistas que parecem se misturar. E a diretora faz tudo isso como a segurança e propriedade. Assim, Jane Schoenbrun é uma inovação do cinema estadunidense que se concretiza. E se ela se dá bem com a sua assinatura; Schoenbrun tem grande chance de explorar novos mundos com encanto. Algo que o seu mestre conseguiu nos belos O Homem Elefante e A História Real.

quinta-feira, outubro 01, 2026

Resident Evil

(EUA, 2026)
Direção: Zach Cregger
Elenco: Austin Abrams, Paul Walter Hauser, Zach Cherry, Kali Reis.

Brian é um jovem que trabalha como freelancer em transportar órgãos humanos para os hospitais. E com dificuldades financeiras somado a uma relação frágil com a sua namorada, Brian aceita uma missão que ele tem consciência que não tem condições de atender. Mas o dinheiro falou mais alto que sua indisponibilidade. O problema é que no meio da missão ele depara com uma mulher que virou zumbi.
O diretor Zach Cregger está tomando a dianteira do mundo do terror ao sair do óbvio em suas produções. Mais uma coisa ele deixa claro em seus filmes: o senso de humor. Cregger quebra a tensão explorando o absurdo das situações. E o diretor sabe explorar o suspense em cena. outro ponto curioso: o diretor inseriu o contexto da frágil questão trabalhista atual com a exploração dos trabalhos autônomos. Assim, na sua adaptação de Resident Evil, ele foge do universo de P. T. W. Anderson e cai de cabeça no clássico O Enigma do Outro Mundo. Aqui, o diretor explora bem suspense e imagens grotescas a lá John Carpenter. E a trilha sonora da dupla Hays e Ryan Holladay eleva atenção. Distanciando do ótimo A Hora do Mal, Cregger explora outra narrativa na adaptação do videogame e demonstra competência e segurança para uma obra de terror.

domingo, setembro 20, 2026

Destaque nos Cinemas

RESIDENT EVIL
(EUA, 2026)  de Zach Cregger
Terror. Em uma simples entrega de uma encomenda, funcionário de um hospital tenta sobreviver ao caos nas ruas.

quarta-feira, setembro 16, 2026

Lançamentos nos Streamings

FILHOS DA ESPERANÇA

(Children of Men, EUA,2006) de Alfonso Cuaron
Mubi
Ficção cientifica. No futuro apocalíptico, a descoberta de uma mulher grávida gera conflitos e perseguições.



NO CAMINHO
(En El Camino, México, 2026) de David Pablos
HBO Max
Drama. Jovem andarilho faz amizade com um caminhoneiro nas estradas perigosas do México.

A PONTE DO RIO KWAI
(The Brigde on the River Kwai, Inglaterra/EUA, 1957) de David Lean
Netflix
Guerra. Na Segunda Guerra Mundial, britânicos e japoneses traçam um jogo de gato e rato ao construir uma ponte.




SERPICO
(EUA, 1973) de Sidney Lumet
Netflix
Policial. Jovem policial honesto bate de frente com a polícia corrupta de Nova Iorque da década de 1970.


O SEXTO SENTIDO
(The Six Sense, EUA, 1999) de M. Night Shymalan
Netflix
Suspense. Psicólogo tenta ajudar um menino que tem o dom de ver mortos.


TOY STORY 5
(EUA, 2026) de Andrew Stanton e McKenna Harris
Disney+
Animação. Os famosos brinquedos da Pixar se sentem ameaçados com o surgimento de um tablet infantil.

quinta-feira, setembro 10, 2026

Eu Vi o Brilho da TV

(I Saw The TV Glow, EUA, 2024)
Direção: Jane Schoenbrun
Elenco: Justice Smith, Brigette Lundy-Paine, Ian Foreman, Helena Howard.

Owen é um garoto triste mas que encontra empatia em uma colega mais velha da escola, Maddy. Ambos interagem pois descobrem algo em particular: a série de televisão The Pink Opaque. Por ser uma série adulta estes assistem escondidos o que gera uma forte conexão. Mas com o passar do tempo os dois compartilham sentimentos conflitantes em relação a sexualidade e identidade. E isso gera um tremendo desconforto no decorrer da vida de Owen.
Instigante estreia da cineasta Jane Schoenbrun em que ela mistura de forma muito bem realizada drama, suspense e terror. Aqui, a diretora bebe direto da fonte surrealista de David Lynch o que gera cenas de uma beleza mas também uma melancolia palpável. As cores neon, os efeitos visuais práticos e a fotografia extremamente colorida camufla a tristeza do dois principais personagens. Aqui, Owen e Maddy escondem sua identidade e inseguranças através da fixação de uma série de televisão adulta. O roteiro poderia muito bem realizar uma critica dos efeitos da televisão nos jovens mas Eu Vi o Brilho na TV caminha em outra rota. Por se passar nos anos 1990, a televisão representa uma válvula de escape de pessoas que querem se entender no mundo. Os personagens da série que Owen e Maddy amam refletem as angústias e escondem a violência que os cercam. Com lindas sequências visuais, a diretora faz um belo filme em que a década de 1990 é palpável e o sentimento de não pertencimento em uma época ainda calcada no forte preconceito é o mote de sonho e pesadelo.

sábado, setembro 05, 2026

Gritos e Sussuros

(Viskningar Och Rop, Suecia, 1972)
Direção: Ingmar Bergman
Elenco: Ingrid Trulin, Liv Ullmann, Harriet Andersson, Kari Sylwan.

No século 19, duas mulheres se unem para a cuidar da sua irmã que está enferma. E juntas no casarão da família, sentimentos e recordações vem a tona. O passado invade expondo sensações diversas como o amor, o desejo (Agnes admirando a mãe, e a paixão de Maria pelo médico da família), até a distância e frieza (o casamento de Karin).

Em Gritos e Sussurros o mestre Bergman realiza um conto de horror sobre a vida. Mergulhado em um intenso vermelho maravilhosamente fotografado pelo monstro sagrado Sven Nykvist (e vencedor do Oscar). Aqui, o lar das irmãs é um mundo rodeado pela morte, desejos velados, frieza e até mesmo a indiferença de classe social. Com um design de produção impecável, Bergman nos seduz ao ambiente proletariado com objetos e vestimentas de uma classe abastada. Mas nem isso é capaz de afastar as irmãs da distância emocional. Se elas vivem no conforto e segurança, a frágil relação familiar move a manivela de ressentimentos. E a única a se salvar é a empregada Anna; mesmo assim esta sobrevive após a perda da sua filha pequena. A morte não tem escapatória. O vermelho é um reflexo de sentimentos intensos e humanos em que as irmãs parecem sentir mas não conseguem compreender. Gritos e Sussurros representa uma visão particular de o inferno de Dante. Agnes, Maria e Karin vivem uma jornada de dores pessoais veladas a ponto de que a única coisa que as unam é o sangue. E até este é vermelho. E intenso.

terça-feira, setembro 01, 2026

Alpha

(França, 2025)
Direção: Julia Ducournou
Elenco: Mélissa Boros, Golshifteh Farahani, Tahar Rahim, Louai El Amrousy.

Alpha é uma adolescente que acorda com uma cicatriz no braço. Por conta dessa situação ela é suspeita de ter sido infectada com uma doença transmissível por agulhas, uma epidemia que está se alastrando. E para piorar, a sua mãe médica hospeda em sua casa o seu tio que está perto de morrer em virtude da mesma doença. 
Quem espera um pouco corporal no novo nível novo filme de Julia Ducournou (Titane) se decepcionará. O desconforto e uso da fantasia permeia mas o terror vem de outras maneiras. O medo surge do sentimento da perda de entes queridos. E principalmente o filme vai fundo na analogia do medo da epidemia da AIDS nos anos 1980/90. Aqui o preconceito e as dores particulares dá as caras de uma forma convincente e melancólica. Só acho um vacilo da diretora ter inserido o contexto de camuflar os sintomas da doença com paciente virando pedra. Achei a fantasia desnecessária e sem uso na narrativa. Uma pena que a diretora tem insistido na fantasia ao invés de lançar na cara do público o horror dos sintomas da AIDS. Um caso de uma autora que insiste na sua assinatura sem necessidade. Uma pena.

quinta-feira, agosto 20, 2026

Destaque nos Cinemas

ACAMPAMENTO MIASMA: ADOLESCENCIA, SEXO E MORTE

(Teenage, Sex and Death At Camp Miasma, EUA, 2026) de Jane Schoenbrun
Terror. Uma cineasta realiza um filme de terror com uma atriz consagrada no gênero mas essa união tem consequências inesperadas.

sábado, agosto 15, 2026

Lançamentos nos Streamings

CORRA LOLA, CORRA

(Lola Rennt, Alemanha, 1998) de Tom Tywker
HBO Max
Ação. As várias formas de uma garota em tentar salvar o namorado envolvido em um assalto.


A HISTORIA DO SOM

(The History of Sound, Inglaterra/EUA, 2025) de Oliver Hermanus
Amazon Prime
Drama. Durante a Primeira Guerra Mundial, dois jovens que estudam música acabam criando uma conexão especial.


HOKUM - O PESADELO DA BRUXA

(EUA, 2026) de Damian McCarthy
Amazon Prime
Terror. Escritor se desloca para um hotel que seus pais passaram a lua de mel mas o local apresenta um histórico de assombrado.


LAVOURA ARCAICA
(Brasil, 2021) de Luiz Fernando Carvalho
Mubi
Drama. Após fugir de casa, jovem retorna ao lar de seus pais o que gera consequências trágicas. 


QUINZE DIAS
(Brasil, 2026) de Daniel Lieff
Netflix
Comédia. Jovem com baixa auto estima em virtude de seu peso recebe a visita inesperada de seu vizinho.



UM SONHO DE LIBERDADE

(Shawshank Redemption, EUA, 1994) de Frank Darabont
Netflix
Drama. Preso por matar sua esposa, contador tem que usar a sua inteligência para sobreviver a uma penitenciária severa.

segunda-feira, agosto 10, 2026

Lembranças de Hollywood

(Postcards From The Edge, EUA, 1990)
Direção: Mike Nichols
Elenco: Meryl Streep, Shirley MacLaine, Dennis Quaid, Gene Hackman.

Suzanne é uma atriz Hollywood em decadência. E o seu vício as drogas acaba abalando sua relações com a indústria - o que piora quando está quando esta sofre uma overdose e é obrigada a se internar, e depois conviver com a sua mãe, a atriz veterana Doris. Mas as duas estrelas no mesmo ambiente é sinônimo de atritos e ressentimentos. 
Biografia da atriz Carrie Fisher (e da sua relação com a mãe, a atriz Debbie Reynolds) - a eterna Princesa Leia de Guerra nas Estrelas - Lembranças de Hollywood é um drama agridoce que acerta no tom ao focar numa manjado clichê de uma relação tempestiva entre mãe e filha. Mas aqui o diferencial da obra de Nilchols é que lança luz a uma indústria que é tolerante aos vícios e seus artistas - até que os excessos atrapalham o orçamento dos filmes. Enquanto a mãe ė alcoólatra (e que diz saber se controlar a ponto de não afetar a carreira), a filha tem uma séria relação com as drogas o que a deixa queimada na indústria. O roteiro da própria Fischer sabe criticar esse sistema mas de uma forma leve e espirituosa. Assim, o ótimo elenco é um caso a parte  de que a  Meryl Streep arrasa e demonstra ótimo time para comédia. Aqui ela torna Suzanne uma figura que o público torce pelo seu sucesso. Essa visão de pessoas imperfeitas tentando sobreviver a selva selvagem da indústria de Hollywood é o que move essa delícia de filme.

quarta-feira, agosto 05, 2026

A Odisseia

(The Odissey, Inglaterra/EUA, 2026)
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Charlize Theron.

Ao sair do seu reinado para participar da Guerra de Tróia, o militar estrategista Odisseu embarca numa aventura que envolve seres mitológicos capazes de testar suas habilidades e se afastar de sua terra. E na sua ausência, a rainha Penélope também testada pois ainda tem fé do retorno do seu marido enquanto o reinado está um caos sem a presença de Odisseu. 
Antes de mais nada, A Odisseia tem que ser visto no cinema. Aqui, o mestre Nolan amplifica a experiência cinematográfica através de um trabalho técnico primoroso. A bela fotografia de Hoyte Van Hoytema usa ao máximo as belas locações da Europa ao criar o clima idílico e fantasioso mas sem perder o realismo. Aqui o Imax faz total sentido. No entanto, se filmar em Imax é uma carta na manga, também é um fator limitador pois quebrou o ritmo nas cenas de combate. Mas isso é um detalhe que não estraga a sessão. Outro destaque é a brilhante trilha sonora de Ludwig Goransson que sabe causar tensão no uso de sons tribais algo que a equipe sonora usa com maestria. O grandioso elenco tem boas interpretações em que a Samanta Morton rouba a cena como a deusa feiticeira x  em um dos melhores momentos do filme.  Já Tom Holland é o ponto fraco como uma atuação apagada (o que  ajuda a tornar a história da sua relação com a mãe Penelope em algo desinteressa de narrativa). Mas quando o filme foca nas aventuras (ou tomentos) de Odisseu, a obra cresce. A odisseia do militar é eletrizante e suas interações com seres mitológicos da Grécia Antiga me recordou da minha infância em que filmes épicos passava bastante na sessão da tarde e eu adorava. A Odisseia mexeu na minha memória, e assistir em uma ótima sala de cinema se transformou em uma experiência imersiva e gratificante

sábado, agosto 01, 2026

O Convite

(The Invite, EUA, 2026)
Direção: Olivia Wilde
Elenco: Seth Rogen, Olivia Wilde, Penelope Cruz, Edward Norton.

O casal Joe e Angela convida o casal Hawk e Pina, seu vizinho para um jantar. Desse encontro, Joe e Angela demonstram uma relação desgastada com uma vida que caiu na rotina e na monotonia. E o jantar com os "diferentes" Hawk e Pina confirma esse diagnóstico e acende a luz para uma virada em sua relação. Mas isso só acontece com base em surpresa e constrangimento.
Após o fracasso da ficção científica Não Se Preocupe Querida,  a cineasta/atriz Olivia Wilde retorna ao terreno seguro da comédia. Em seu terceiro filme, a diretora acerta em cheio na adaptação do filme espanhol Sentimental (2020). Em O Convite, a diretora demonstra um incrível domínio de câmera ao filmar um um único cenário e torna a experiência menos teatral e mais cinematográfica. E como no seu primeiro filme, ela pega o nicho particular (no caso de filmes adolescentes em Fora de Série em seu primeiro filme, e aqui os dramas de um casamento). Wilde capta  obras como Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? e injeta um humor ácido sobre a caretice das relações amorosas. Os gritos, o caos continua presente mas sem perder a graça. A trilha sonora de Devonté Hynes  acompanha a turbulenta reunião dos quatro personagens. Mas a cereja do bolo se encontra em seu elenco. Em especial ao núcleo feminina em Penélope Cruz está a vontade como estrangeira liberal (outras palavras "latina"), e a própria Olívia Wilde sabe expor curiosidade e cansaço sem perder a graça. Enfim, O Convite é uma bela surpresa de uma cineasta que amadurece, e que mostra que tem bala na agulha ao focar na comédia da vida privada.

segunda-feira, julho 20, 2026

Destaque nos Cinemas

O CONVITE

(The Invite, EUA, 2026) de Olivia Wilde
Comédia. Casal com a relação desgastada convida os seus vizinhos para um jantar.



A ODISSEIA
(The Odissey, EUA/Inglaterra, 2026) de Christopher Nolan
Ação. Na Grécia antiga, Odisseu volta para a casa após lutar na Guerra de Troia.

quarta-feira, julho 15, 2026

Lançamentos nos Streamings

DEPOIS DE HORAS
(After Hours, EUA, 1985) de Martin Scorsese
HBO Max
Comédia. Jovem editor literário passa por acontecimentos inesperados em uma intensa noite em Nova Iorque.


O DIABO VESTE PRADA 2
(The Devil Wears Prada 2, EUA, 2026) de David Frankel
Disney+
Comédia. Depois de ser demitida, consagrada jornalista retorna a mítica Runway onde foi estagiaria da temível Miranda.


O DRAMA
(The Drama, EUA, 2026) de Kristoffer Borgli
Amazon Prime
Comédia. Prestes a se casar, jovem casal passa por momentos de duvida da união em conta do passado da noiva.
 





EU VI O BRILHO DA TV
(I Saw The TV Glow, EUA, 2024) de Jane Schenbrun
Amazon Prime
Terror. Um adolescente perde a noção da realidade ao se viciar em um programa de televisão.


GRITOS E SUSSUROS

(Viskningar Och Rop, Suécia, 1972) de Ingmar Bergman
Mubi
Drama. Duas irmãs decidem cuidar de sua outra irmã que esta enferma o que alimenta dores pessoais de cada uma.


HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET
(Hamnet, Inglaterra/EUA, 2025) de Chloe Zhao
Amazon Prime
Drama. Mulher se encanta e casa com um jovem que sonha com a vida artística.


PERSONA - QUANDO DUAS MULHERES PECAM
(Suécia, 1966) de Ingmar Bergman
Mubi
Drama. Uma enfermeira cuida de uma atriz que sofreu um choque emocional durante uma apresentação de teatro



O SÉTIMO SELO
(Det Sjunde Imseglet, Suécia, 1957) de Ingmar Bergman
Mubi
Drama. Ao voltar das cruzadas, cavaleiro vê a sua região ser dizimada pela peste e literalmente enfrenta a morte no jogo de xadrez.


A VOZ DE HIND RAJAB
(Sawt Hind Rajad, Tunísia, 2025) de Kaouther Ben Hania
Netflix
Drama. Uma equipe plantonista tenta salvar uma garota que está em um fogo cruzado na Faixa de Gaza.

sexta-feira, julho 10, 2026

Fogo Contra Fogo

(Heat, EUA, 1995)
Direção: Michael Mann
Elenco: Al Pacino, Robert DeNiro, Val Kilmer, Jon Voight.

Neil é um meticuloso assaltante que usa o seu faro e astúcia para mais uma missão: assaltar um banco de Los Angeles. O problema é que em seu caminho cruza com o Tenente Vincent, um policial obstinado e que não dá trégua enquanto não colocar Neil na cadeia. Ao mesmo tempo, o assaltante arranja um relacionamento amoroso, e Vincent sofre como desgaste no seu casamento.
Ao lado dos excelentes O Informante e Colateral, Fogo Contra Fogo é um dos filmes mais cultuados de Michael Man que eu tinha vontade de conferir. E valeu a espera pois o filme de 1995 é um filmaço. Com quase três horas de duração, a estória passa voando graças ao intrigante jogo de gato e rato de dois homens em que os seus atos e a própria personalidade parece se misturar. Aqui, o protagonista e antagonista se entregam de corpo e alma nos seus papéis o que gera uma certa afeição e admiração mútua entre ambos. A inteligente fotografia de Dante Spinotti expõe uma fotografia de cartão postal de Los Angeles de dia, e ao mesmo tempo brinca com sombras nas cenas noturnas. Aqui, Vincent e Neil vivem no mesmo microcosmo. Em compensação a trilha sonora de Elliot Goldenthal é bem anos 1990, o que é estranho pois Goldenthal é um autor competente. Mas é a super aguardada união de astros Al Pacino e Robert DeNiro que elevam o patamar do filme. Se DeNiro expõe com naturalidade a inteligência, virilidade e vulnerabilidade de Neil tornando o antagonista não em um monstro mas em um homem obstinado ao se colocar no outro lado da lei. Já Pacino vive um policial cansado mas ao mesmo tempo uma panela de pressão prestes a explodir. E nesse ponto é inegável não recordar os maneirismos de Nicolas Cage o que gera uma certa distração em cena. Mesmo assim o ator está sensacional no papel principal. Fogo Contra Fogo é uma bela mistura da grandiloquência do cinema épico com o gênero policial típico dos anos 1990 (que estava em alta na época).

domingo, julho 05, 2026

Dia D

(Disclosure Day, EUA, 2026)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Josh O´Connor, Emily Blunt, Colin Firth, Colman Domingo.

Um programador cibernético chamado Daniel descobre um segredo de estado ocasionando em sua  caçada por um grupo da defesa dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, uma apresentadora de notícias apresenta sintomas bizarros da noite para o dia. Do nada, ela consegue decifrar a intimidade toda a sua volta. E o seu destino vai se cruzando com a de Daniel o que pode alterar o futuro da humanidade.
Quase vinte anos depois de A Guerra dos Mundos, o mestre Spielberg volta aos seus temas preferidos: uma ficção científica sobre alienígenas. em Dia D, o diretor foca no reflexo dos Estados Unidos trumpista: religião, mídia, tecnologia e o autoritarismo. O problema é que o diretor foi fantasioso e raso demais em sua pontaria. Como disse acima, religião, mídia, tecnologia e totalitarismo são tocados no enredo mas nunca aprofundados. Uma mera nota de rodapé. Assim, o velho e conhecida escapismo tradicional do diretor dos anos 1980/1990 é jogado na tela sem cerimônia. E isso pode dividir o público que busca algo com  mais consistência. Mas para quem procura um filme pipoca, Dia D é o seu programa. Particularmente, Dia D soa como filme de ação com capa de ficção científica mas que não condiz com um mundo maluco de hoje que se preocupa mais com a última polêmica da Virgínia Fonseca do que a existência de ETs. Aqui, Spielberg se fechou em sua bolha e não soube criar uma ficção científica reflexiva. Uma pena.

quarta-feira, julho 01, 2026

Natal Amargo

(Amarga Natividad, Espanha, 2026)
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Barbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Aitana Sánchez-Gijón, Victoria Luengo.

Uma cineasta sofre um terrível enxaqueca e isso tem uma ligação com a recente perda de sua mãe. E essa história pertence ao cineasta Raul, um brilhante diretor que está em baixa e que decide usar os acontecimentos de sua volta como inspiração para um roteiro que promete ser o seu grande retorno no cinema.
Ao assistir Natal Amargo fiquei com a impressão que Almodóvar retorna ao assunto da morte uma ligação o seu filme anterior o belo O Quarto ao Lado. Na sua volta a Espanha, o mestre faz mais uma revigorante obra em que toca sobre a dor do luto e do nada aborda os desafios da criação de roteiro em que personagem principal, Raul, é um deus ex machina que se aproveita dos acontecimentos da sua volta como inspiração a sua nova criação. Isso acaba se tornando o calcanhar de Aquiles do filme. Almodóvar vai despachando tanta coisa na tela que perde o foco principal. Mas Natal Amargo está longe de ser um desastre. Pelo contrário, o diretor espanhol mostra domínio narrativo e ainda tira sarro de sua filmografia. Aqui temos notas de Carne Trêmula, Má Educação, e Dor e Glória. E a trilha sonora de Alberto Iglesias continua afiada dando drama e tensão na medida. A fotografia de Pau Esteve é elegante mas respeitando o tom colorido do mestre espanhol. Natal Amargo é um filme que brinca com o cinema e mostra uma arte cheia de contradição em que a dor pessoal se mistura com um jogo de vaidades.

sábado, junho 20, 2026

Destaques nos Cinemas

DIA D
(Disclosure Day, EUA, 2026) de Steven Spielberg
Ficção cientifica. Coisas estranhas acontecem de repente e isso é resultado de segredos militares a respeito de seres extraterrestres.

segunda-feira, junho 15, 2026

Lançamentos nos Streamings

AVATAR: FOGO E CINZAS
(Avatar: Fire and Ash, EUA, 2025) de James Cameron
Disney+
Ação. Após sobreviver a o mundo da água, o casal de protagonista embarcam em uma missão para o lado quente do planeta.


O CASAMENTO DE RACHEL
(Rachel Getting Married, EUA, 2009) de Jonathan Deme
Netflix
Drama. Recém saída de uma habilitação, jovem vai ao casamento de sua irmã e dores familiares afloram.

FLASHDANCE
(EUA, 1983) de Adrian Lyne
Netflix
Musical. Jovem metalúrgica tem o sonho de se tornar uma bailarina.







ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ
(No Country For Old Men, EUA, 2007) de Ethan e Joel Coen
Netflix
Suspense. Homem se mete numa cilada e é perseguido por um pistoleiro após roubar uma mala de dinheiro.

PARIS, TEXAS

(Alemanha/EUA, 1984) de Win Wenders
Mubi
Drama. Homem sem memória anda pelo deserto dos EUA até ser encontrado pelo irmão.


TWINLESS: UM GÊMEO A MENOS
(EUA, 2025) de James Sweeney
HBO Max
Drama. Em luto pela perda do irmão gêmeo, jovem encontra o conforto em um grupo que lida com a mesma situação.


VERÃO 1993

(Estiu 1993, Espanha, 2017) de Carla Simón
Mubi
Drama. Traumatizada pela morte dos pais, a criança é adotada pelos tios.

quarta-feira, junho 10, 2026

Obsessão

(Obsession, EUA, 2026)
Direção: Curry Barker
Elenco: Michael Johnson, Inde Navarrette, Cooper Tomlinsom, Megan Lawless.

Jovem extremamente tímido sofre por uma paixão platônica por Nikki, sua colega de trabalho. Após receber notícias que sua amada pedirá demissão, Bear fica tenso. E nesse tempo ele encontra uma varinha mágica que realiza todos os desejos. Como uma criança boba, Bear compra o produto e deseja o amor de Nikki. E o feitiço se concretiza mas não da forma como desejado pois a nova namorada apresenta um comportamento cada vez mais imprevisível e violento tornando o relacionamento dos sonhos em verdadeiro pesadelo.
Em sua estreia nos cinemas, Curry Barker surpreende ao realizar um terror que se agarra no desconforto do que em meros sustos. Aqui, o comportamento bizarro de Nikki representa o horror da falta do livre arbítrio. De uma pessoa que perdeu total controle de si mesmo. Assim, Barker mistura elementos com terror, drama e humor em que o absurdo é uma realidade verossímil se mistura. Mas se a produção de 750 mil dólares é uma grata surpresa é na incrível atuação de Inde Navarrette que mostra o seu ponto alto. Navarrette transforma Nikki não em um monstro mas em uma infeliz que encontra um triste destino nas mãos de um cara que não cresceu. Aqui, Navarrette vai da doçura a psicopatia com uma uma naturalidade impressionante. Assim, Obsessão não aborda o cuidado com o que deseja mas vai fundo nas consequências de um relacionamento que nunca existiu... e que nem deveria existir.

sexta-feira, junho 05, 2026

Michael

(EUA, 2026) 
Direção: Antoine Fuqua
Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Miles Teller, Jayden Harville.

Dos anos 1960 até o fim da década de 1980, o cantor Michael Jackson se transforma de menino protegido da música ao rei do pop absoluto. Mas para chegar ao topo ele só não enfrentou o temível mundo do entretenimento mas teve que encarar uma fera que fez o seu destino: o pai. 
No interminável mundo das cinebiografias musicais chapa branca era questão de tempo surgir a ingrata missão sobre o rei do pop Michael Jackson. E na adaptação do cineasta regular Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) foge-se de temas espinhosos e polêmicos, e foca totalmente na ascensão de Jackson, e ao mesmo tempo tudo se resume na relação abusiva do protagonista com seu pai que via na sua própria prole um produto ao invés de seres humanos. E a produção reflete o pensamento de Joe Jackson e foi fundo no PRODUTO pois a obra é uma sucessão fantástica de grandes hits mas sem aprofundar quem foi o protagonista, e muito menos na criação das canções. Tudo aqui soa raso e rápido. A cronologia dos fatos é jogada na tela de qualquer jeito, e a síndrome de Peter Pan de Michael é o puro suco do clichê. O que é uma pena pois a obra conseguiu encontrar no sobrinho do Michael Jackson o ator perfeito para o papel. A semelhança física e a voz de Jaafar Jackson é de cair o queixo, pena que o roteiro preguiçoso dilui a oportunidade de decifrarmos quem é o Michael de verdade. O que fica aqui é apenas uma Coca-Cola para o público degustar.

segunda-feira, junho 01, 2026

O Diabo Veste Prada 2

(The Devil Wears Prada 2, EUA, 2026)
Direção: David Frankel
Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci, Emily Blunt.

Após 20 anos de sua experiência na Runaway, Andrea se torna uma jornalista séria e consagrada. Mas após ser demitida via mensagem de texto, surge um novo emprego justamente na revista da temida Miranda Priestley que passa por dificuldades em uma época de redes sociais influenciadores.
Uma comédia despretensiosa mas com muitas qualidades, o primeiro O Diabo Veste Prada se tornou um clássico com o passar do tempo, e após vinte anos ganhou uma continuação. E isso fez um tremendo bem a parte 2 pois a equipe jogou os mesmos personagens (e queridos) em um mundo muito diverso de 2006. Agora a perigosa e futilidade dos cliques digitais e influenciadores denominam o sucesso na mídia. E o poder da mítica personagem de Meryl Streep bate de frente a um mundo que automatizou o entretenimento da moda. E isso dá um tremendo frescor a continuação mas carece de charme (e da originalidade do primeiro filme). Mesmo que apresente a sintonia do original existe um certo incomoda como os personagens que não parecem ter amadurecimento esse longo período de tempo. Especialmente a Andrea que ainda se comporta como a estagiária de 20 anos atrás - o que não reflete na jornalista consagrada no meio. E mesmo pecando na autorreferência o filme diverte pois os personagens clássicos tem o seu charme. A Miranda continua ácida, a Andrea idealista, a Emily ambiciosa e o maduro Nigel. O mundo mudou nos editoriais mas a marcante personalidade dos que estão por trás das informações ainda fazem diferença. Até agora.

quarta-feira, maio 20, 2026

Destaques nos Cinemas

HOKUM: O PESADELO DA BRUXA

(EUA, 2026) de Damiam McCarthy
Terror. Após a morte dos pais, escritor decide jogar as cinzas em um hotel bastante misterioso.



NATAL AMARGO
(Amarga Navidad, Espanha, 2026) de Pedro Almodóvar
Drama. Um cineasta em crise e uma publicitaria em luto tem os seus destinos cruzado no natal.