quarta-feira, julho 01, 2026

Natal Amargo

(Amarga Natividad, Espanha, 2026)
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Barbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Aitana Sánchez-Gijón, Victoria Luengo.

Uma cineasta sofre um terrível enxaqueca e isso tem uma ligação com a recente perda de sua mãe. E essa história pertence ao cineasta Raul, um brilhante diretor que está em baixa e que decide usar os acontecimentos de sua volta como inspiração para um roteiro que promete ser o seu grande retorno no cinema.
Ao assistir Natal Amargo fiquei com a impressão que Almodóvar retorna ao assunto da morte uma ligação o seu filme anterior o belo O Quarto ao Lado. Na sua volta a Espanha, o mestre faz mais uma revigorante obra em que toca sobre a dor do luto e do nada aborda os desafios da criação de roteiro em que personagem principal, Raul, é um deus ex machina que se aproveita dos acontecimentos da sua volta como inspiração a sua nova criação. Isso acaba se tornando o calcanhar de Aquiles do filme. Almodóvar vai despachando tanta coisa na tela que perde o foco principal. Mas Natal Amargo está longe de ser um desastre. Pelo contrário, o diretor espanhol mostra domínio narrativo e ainda tira sarro de sua filmografia. Aqui temos notas de Carne Trêmula, Má Educação, e Dor e Glória. E a trilha sonora de Alberto Iglesias continua afiada dando drama e tensão na medida. A fotografia de Pau Esteve é elegante mas respeitando o tom colorido do mestre espanhol. Natal Amargo é um filme que brinca com o cinema e mostra uma arte cheia de contradição em que a dor pessoal se mistura com um jogo de vaidades.

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