domingo, maio 10, 2026

A Semente do Fruto Proibido

(Dane-ye Anjir-e Ma´abed, Irã/Alemanha, 2024)
Direção: Mohammad Rasoulouf
Elenco: Misagh Zare, Soheila Golestani, Mahsa Rostami, Setareh Maleki.

No Irã tumultuado por causas dos protestos da população contra a repressão política, a família de Iman ganha a boa notícia da sua promoção para o cargo de juiz. No entanto, uma amiga de Rezvan, a filha mais velha de Iman, participa das manifestações e desaparece. E esse fato desencadeia atritos entre o pai leal ao Estado e a filha que questiona o sistema. E a relação familiar se agrava quando o revólver de Iman desaparece e o senso de desconfiança e paranóia se instala no ambiente 
O mestre do cinema político - o grego Costa Gravas - ficaria orgulhoso de A Semente do Fruto Proibido. Aqui, o cineasta iraniano Mohammad Rasoulouf faz uma aula de um thriller político em que o drama e a atenção não dão trégua ao espectador. E se vivemos num mundo que famílias e amigos se gladiam em nome de um mundo bipolarizado politicamente, a realidade iraniana atual o tema ganha um outro contexto. Ao misturar ficção e realidade através de filmagens verídicas via celular, Rasoulouf mostra o sistema teocrático dos aiatolás em ruínas. O sistema entrou em choque com um mundo que luta por mais direitos e principalmente liberdade. E a família do protagonista Iman reflete esse cosmo em que as mulheres começam a se rebelar contra o patriarcado. Assim,  A Semente do Fruto Proibido é um denso jogo de gato e rato e joga o espectador no lugar das mulheres e o sentimento da repressão (por causa do simples do véu) de forma visceral. Assim, A Semente do Fruto Proibido já se torna um clássico do cinema moderno e expõe toda a força do cinema como uma arma política.  Contrariando Win Wenders  (algo que não consigo compreender até hoje).

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