terça-feira, janeiro 05, 2021

O Retorno de Ben


(Ben is Back, EUA, 2018)
Direção: Peter Hedges
Elenco: Julia Roberts, Lucas Hedges, Kathryn Newton, Courtney B. Vance.

A eterna uma linda mulher Julia Roberts entrou na casa dos 50 anos disposta a mostrar que ainda tem muitas cartas na manga. E em O Retorno de Ben, Roberts faz uma bela entrega ao interpretar uma mãe, Holly Burns, que recebe uma visita inesperada do filho, Ben, dependente de drogas na noite de natal ocasionando uma dolorosa via crucis de uma mulher disposta ao salvar o filho e a luta deste em si livrar do vício. O grande destaque do filme é a relação entre mãe e filho graças a ótima química entre Roberts e Hedges - aqui a obra expõe uma mãe que faz das tripas coração para a recuperação de Ben. No entanto, o filme foi raso e falho ao mostrar a rotina e as mazelas de um dependente de drogas mas isso não tira o brilha quando foca no relacionamento humano. Um bom drama sobre esperança e sacrifício.

sexta-feira, janeiro 01, 2021

Fanny e Alexander


(Fanny och Alexander, Suécia/França/Alemanha, 1982)
Direção: Ingmar Bergman
Elenco: Bertil Guvi, Pernilla Allwin, Ewa Fröling, Börje Ahlstedet.

Em sua última obra para o cinema, um dos maiores cineastas da história conclui sua carreira com uma adaptação personalíssima de uma das grandes obras da humanidade: Hamlet de Shakespeare. E Bergman não vacila e faz um dos seus melhores e mais acessíveis trabalhos em que arte e memória se misturam. No início do século XX, o casal de irmãos de uma família burguesa da Suécia, Fanny e Alexander, comemoram o natal com a extensa família do pai. Meses depois, o seu pai falece e sua mãe casa com um cruel bispo. Com um design de produção perfeito em que à reconstituição de época é um show a parte em conjunto a bela fotografia do mestre Sven Nykvist, Fanny e Alexandre não foge aos temas tradicionais de Bergman mas aqui com o foco sobre o olhar das crianças: morte, luto, maldade. O filme não apresenta questões existencialistas tão características do clássico inglês mas expressa desenvoltura e segurança ao jogar as crianças as dores do mundo dos adultos, e arrisca na divisão de classes no proletariado. Com um elenco habitual em sua filmografia, o mestre da alma se despede do cinema com uma visão conciliadora dos tormentos humanos. uma bela obra sobre maturidade.

quinta-feira, dezembro 31, 2020

Nota do Blog - Melhores Filmes do Ano

Finalmente chega ao fim o fatídico ano de 2020, um ano que não deixará saudade em virtude da pandemia do Covid-19. Se as nossas vidas foram afetadas, no cinema o efeito foi devastador a ponto dos streamings se transformarem de vez na nova rota dos filmes. Mesmo diante desse cenário tenebroso o ano apresentou uma seleção considerável de bons filmes.

***

MELHORES FILMES DE 2020:

Another Round (Dinamarca) de Thomas Vinterberg
Collective (Romênia) de Alexander Nanau
First Cow (EUA) de Kelly Reichardt
Minari (EUA) de Lee Isaac Chung
Não Há Mal Algum (Irã) de Mohammad Rasoulof
Never Gonna Snow Again (Polônia) de Malgorzata Szumowska e Michal Englert
Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre (EUA) de Eliza Hitman
Nomadland (EUA) de Chloe Zao
Soul (EUA) de Pete Docter e Kemp Powers
The Father (Inglaterra) de Florian Zeller





FELIZ NATAL 
E UM ÓTIMO ANO NOVO
(E CONTINUANDO COM OS CUIDADOS E CAUTELA A RESPEITO DA PANDEMIA).

terça-feira, dezembro 15, 2020

Destaques nos cinemas


FREAKY - NO CORPO DE UM ASSASSINO
(EUA, 2020) de Christopher Landon
Comédia. Em virtude de um feitiço, adolescente tenta desfazer a maldição ao perceber que o seu corpo foi trocado com um psicopata.




TODOS OS MORTOS

(Brasil, 2020) de Caetano Gotardo e Marco Dutra
Drama. Na São Paulo de 1899, uma ex-escrava e uma família burguesa decadente lutam por um futuro melhor.




MULHER MARAVILHA 1984

(Wonder Woman 1984, EUA, 2020) de Patty Jenkins
Fantasia. No auge da Guerra Fria em 1984, a heroína combate dois inimigos: um magnata da mídia e uma antiga aliada.

quinta-feira, dezembro 10, 2020

Um Estranho no Ninho


(One Flew Over the Cuckop´s Nest, EUA, 1975)
Direção: Milos Forman
Elenco: Jack Nicholson, Louise Fletcher, Will Sampson, Brad Dourif

Saído da antiga Tchecoslováquia, o cineasta Milos Forman ganhou um presentão ao adaptar o livro de Ken Kesey. A sua escalação não foi em vão pois o diretor conhecia muito bem o que é viver em um sistema politico autoritário. E a estória de McMurphy, um condenado que pensa que vai escapar de sua pena ao se fazer de louco e ser internado num hospício comandado por uma enfermeira sádica cai como uma luva sobre o que é viver num mundo opressivo. Diretamente o filme faz uma poderosa critica sobre o tratamento desumano nas clinicas psiquiátricas em que profissionais da saúde de má índole tem liberdade total para destruir vidas. Com um enredo desses necessita-se de um duelo de titãs no elenco. Assim, mesmo que Jack Nicholson dê um show como um elemento que desestabiliza a ordem no manicômio; quem rouba a cena é a surpresa Louise Fletcher que com um gesto e um olhar dissemina uma frieza e uma falta de humanidade poucas vezes vista no cinema - não sei porquê essa personagem, a enfermeira Ratched, é tão pouco divulgado pois quando ela entra em cena sentimos que coisa boa não virá. Com um final de cortar o coração, Um Estranho do Ninho mereceu o Oscar de melhor filme em 1975 (mas admito que Um Dia de Cão é mais filme) ao abordar o horror do autoritarismo em nossas vidas.

sábado, dezembro 05, 2020

Halloween - A Noite do Terror


(EUA, 1978)
Direção: John Carpenter
Elenco: Jamie Lee Curtis, Donald Pleasence, Charles Cyphers, Nancy Kyes

No fatídico dia das bruxas de 1978, jovens são mortos por um psicopata que fugira de um manicômio. Com um fiapo de estória, um novato cineasta John Carpenter usa ao máximo o seu talento e criatividade para transformar Halloween - A Noite do Terror em algo além de um clássico; criou um subgênero de terror - o slasher - que até hoje está presente em muitos filmes do horror. E se não fosse o bastante o diretor foi extremamente feliz ao criar tensão com as longas tomadas de câmera (como a clássica cena que abre o filme) e o uso mínimo de cortes. Outro fato curioso é a exposição mínima de sangue, o filme tem cenas fortes mas é tão bem conduzido que a falta de cenas sangrentas não atrapalha a experiência. E não dá para falar deste clássico sem mencionar a inesquecível trilha sonora do próprio diretor que entrou para a história do cinema. E foi com essa obra que a novata Jamie Lee Curtis se tornou a rainha do grito por suas várias aparições em filmes de terror. Se A Felicidade Não Compra de Franz Capra é um filme obrigatório no natal; Halloween é a representação máxima do dia das bruxas, e sua exibição nessa data o torna uma obra atemporal sempre referenciada e discutida. Um dos melhores filmes do gênero sem dúvida.