quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Oscar 2018

O ano de 2018 já começa com as indicações ao Oscar confirmando a briga imprevisível entre Três Anúncios para um Crime e A Forma da Água para o prêmio máximo (e que poderia esquentar ainda mais se o belo Me Chame Pelo Seu Nome não tivesse perdido fôlego no fim da corrida). Também é importante destacar que a Academia engoliu uma produção da Netflix, e Mudbound - Lágrimas sobre o Mississipi saiu com 04 indicações, um feito inédito para um streaming. Outro feito importante é a indicação (merecida por sinal) de roteiro adaptado para a última franquia X-Men, Logan. Já as decepções começam com a ausência lástima do francês 120 Batimentos por Minuto para filme estrangeiro e a ausência do super badalado Projeto Florida em grandes categorias. Uma pena.

CORRA!
A grande revelação do ano. Passou nos cinemas no meio do ano como não quer nada e com o passar do tempo essa mistura inusitada de comédia com horror conquistou a crítica com a sua inteligente abordagem sobre o racimo velado. E continua uma baita surpresa ver esse filme - atípico - para a Academia - fazer bonito no Oscar. Com 04 indicações, tem chances de ganhar na categoria roteiro original.

O DESTINO DE UMA NAÇÃO
O maior enigma da lista. Diante de tantos filmes bons o que essa obra correta e quadrada esta fazendo aqui? Mais uma vez a Academia faz uma escolha equivocada e extremamente conservadora com as inacreditáveis 06 indicações, só reforçando o favoritismo para o sempre competente Gary Oldman, e com grande chances tambem a de maquiagem (que ajudou e muito no trabalho do Oldman).





DUNKIRK
Não pode faltar o representar de filme de guerra na lista e o novo filme de Christopher Nolan já era super cotado desde a sua estréia. Mesmo que eu considere o menor trabalho dele, o filme merece as indicações técnicas e as boas tomadas de cena. Com 08 indicações, deve brilhar nas categorias técnicas como mixagem de som, edição de som, e edição.


A FORMA DA ÁGUA
Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza, a obra-prima de Guillermo del Toro conquistou de vez a critica em mais uma obra que e a sua especialidade: a fantasia. Mas será que a Academia vai se render a uma obra lírica que homenageia o cinema como artifício para falar do preconceito? Esse fator pesa contra a balança para A Forma da Água mas com as 13 indicações conquistadas, o filme pode surpreender e ganhar a de melhor filme, direção, trilha sonora, direção de arte e figurino.

LADY BIRD - HORA DE VOAR
Aquele representante de sempre do cinema indie, eis a estreia da atriz Greta Gerwig que se encontrava em queda em Hollywood mas que soube dar a volta por cima ao conduzir uma obra pessoal sobre a turbulenta relação de uma mãe e filha católicas. Com 05 indicações tem mais chances de ganhar a de atriz coadjuvante (Laurie Metcalf) e roteiro original.


ME CHAME PELO SEU NOME
Um ano atrás, o novo drama romântico de Luca Guadagnino arrebentou em Sundance e desde de sempre cotado para fazer bonito nas premiações. E de se certa forma o filme do produtor brasileiro Rodrigo Teixeira conquistou muitos prêmios mas na reta final o gás acabou. Uma pena mas com 04 indicações é o favorito para ganhar o de roteiro adaptado, um prêmio merecido por este trabalho como pelo conjunto da carreira do grande cineasta James Ivory.

THE POST: A GUERRA SECRETA
Mesmo cotado para fazer bonito na noite do Oscar, o novo filme de Spielberg conquistou a indicação máxima - e só! É preciso dizer no que vai dar com as míseras 02 indicações que o filme recebeu? Aproveite a noite produtores e também a indicada pela 21º vez Meryl Streep.





TRAMA FANTASMA
A grande surpresa da lista e uma ótima confirmação que a Academia adora Paul Thomas Anderson, e pelo retrospecto esse grande cineasta merece esse mimo a cada filme. E mesmo que o filme se torne mais famoso por ser o responsável pela saída de cena do grande Daniel Day-Lewis nas telas, a obra arrebentou a boca do balão com as inesperadas 06 indicações e tem chance de levar o de melhor figurino.



TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME
Com o empoderamento feminino em alta diante de um número estarrecedor de abusos em Hollywood, o novo filme de Martin McDonagh chegou no momento certo e na hora certa, e ainda de cara tem uma Frances McDomand em um dos seus melhores papéis de sua carreira ao dar vida a uma mãe que luta por justiça. Mesmo sem a surpreendente indicação ao Oscar de melhor direção, o filme recebeu 07 indicações e tem muita força para levar o grande prêmio da noite, além o de melhor atriz, ator coadjuvante para Sam Rockwell, roteiro original e montagem.

sábado, fevereiro 10, 2018

The Square - A Arte da Discórdia

(Suécia/Dinamarca/Alemanha/França, 2017)
Direção: Ruben Östlund
Elenco: Claes Bang, Elisabeth Moss, Dominic West, Terry Notary.

"The Square (quadrado em inglês) é uma obra de arte representado por um quadrado no chão que significa que dentro dele todas as pessoas compartilham direitos e deveres iguais." Diante de um trabalho artístico com temática tão humana, o diretor Ruben Östund (do badalado Força Maior) subverte tudo e mostra o oposto quando um curador de um importante museu de Estocolmo tem a missão de transformar a citada obra em um sucesso, mas fatos inesperados acontecem.
Östlund faz um trabalho sensacional (adorei os movimentos de câmera) e realiza um filme deveras provocativo - e necessário - que vai além de criticar o mundo das artes especialmente a busca pelo sucesso. Com um roteiro de primeira, mete o dedo na ferida e expõe uma Estocolmo rodeada de pedintes nas ruas, que no fundo são os refugiados do Oriente Médio, e a falta de assistência do Estado para estes sobreviventes; e o preconceito que os suecos têm sobre eles. Não é pra menos que a trilha sonora usa com muita frequência a música sacra Ave Maria em muitas cenas (um grito de misericórdia); e o filme tem a famosa cena da apresentação do homem-gorila que é uma aula de tensão e incomodo. Uma obra perturbadora que mostra que até os entendidos em arte precisam se humanizar e sair - que ironia! - do seu quadrado vazio. O mundo é bem além de um museu.

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

O Destino de uma Nação

(Darkest Hour, Inglaterra, 2017)
Direção: Joe Wright
Elenco: Gary Oldman, Kristen Scott-Thomas, Ben Mendelsohn, Lily James.

Vivemos em um momento negro da história em total ausência de grandes líderes, Nunca se viu governantes tão impopulares e odiados por ideias descabidas de humanidade como agora. Por isso que vejo o interesse da mídia pelo mítico Winston Churchill, persona fundamental na Segunda Guerra Mundial. E com um grande respeito, o diretor Joe Wright deixa a criatividade tão evidente em seus filmes (Desejo e Reparação; Orgulho e Preconceito) e realiza uma obra apenas correta ao relatar os difíceis primeiros dias de Churchill como primeiro-ministro. Dessa forma, quem acaba brilhando é o elenco, em especial um carismático Gary Oldman que torna a figura simpática mesmo sobre toneladas de uma maquiagem pesada que o torna irreconhecível. E se a fotografia de Bruno Delbonnel sempre envolve os personagens em sombras, a trilha sonora de Dario Marianelli é carregada de grandiloquência. Um tipico exemplo do cinema britânico por natureza: um bom e bonito filme de época.

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

120 Batimentos por Minuto

(120 Battements par Minute, França, 2017)
Direção: Robin Campillo
Elenco: Nahuel Perez Biscayart, Arnaud Valois, Adele Haenel, Antoine Reinartz.

Em uma conjuntura atual em que as minorias tem um longo caminho para brigar pelos seus direitos - e que a maioria faz questão de fazer chacota - o filme 120 Batimentos por Minuto surge num momento certo ao expor a fragilidade das políticas públicas em relação a Aids. No fim dos anos 80, com a epidemia da Aids assombrando a comunidade gay de Paris, ativistas cobram do governo francês mais empenho ao lançar informações sobre a doença na sociedade, e também estratégias para contê-la. O filme também alfineta a falta de humanidade da indústria farmacêutica.
Com base na boa montagem do próprio diretor do filme, Robin Campillo, a obra é dividida em duas partes: a primeira mostra o lado ativista (e as vezes divertido) das manifestações. Já a segunda parte, o tom sombrio reina quando Sean acaba perdendo a luta contra o HIV. E o realizador mostrou uma sensibilidade impar ao lançar imagens belíssimas como metáfora da epidemia (não tem como se comover com o rio Sena ensaguentado ao som abafado de uma pessoa sentindo dor). E a fotografia escura de Jeanne Lapoirie deixa uma sensação amarga que a brevidade da vida é instantânea. Filmão.

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Destaque nos cinemas

120 BATIMENTOS POR MINUTO
(120 Battements par Minute, França, 2017) de Robin Campillo
Drama. No fim dos anos 80 uma ONG luta para que o governo francês faça politica social para combater a epidemia de Aids.








THE SQUARE - A ARTE DA DISCÓRDIA
(Suécia/Alemanha/França/Dinamarca, 2017) de Ruben Ostlund
Drama. Gerente de um museu acaba metendo os pês pelas mãos ao promover uma instalação de arte.



VIVA - A VIDA É UMA FESTA
(Coco, EUA, 2017) de Lee Unkrich e Adrian Molina
Animação. Proibido de expor sua arte, cantor decidi ir a Terra dos Mortos para decifrar esse enigma.








O DESTINO DE UMA NAÇÃO
(Darkest Hours, Inglaterra, 2017) de Joe Wright
Drama. Biografia do mítico primeiro ministro britânico, Winston Churchill, quando este toma posse no início da Segunda Guerra Mundial.


ME CHAME PELO SEU NOME
(Call Me by Your Name, França/Itália/EUA/Brasil, 2017) de Luca Guadagnino
Drama. Na Itália dos anos 80, um jovem se encanta por um estudante americano que se hospeda em sua casa.



ARTISTA DO DESASTRE
(The Disaster Artist, EUA, 2017) de James Franco
Comédia. Bastidores do filme The Room de Tommy Wiseau, considerado por alguns como o pior filme de todos os tempos.




THE POST - A GUERRA SECRETA
(EUA, 2017) de Steven Spielberg
Drama. Editores de um respeito jornal dos EUA brigam com o governo americano para expor a verdade sobre a Guerra do Vietnã.

sábado, janeiro 20, 2018

Lançamentos em DVD/Blu-Ray

COLOSSAL
(Canadá/Espanha, 2016) de Nacho Vigalondo
Ficção Cientifica. Além de perder emprego e terminar uma relação amorosa, mulher percebe uma estranha ligação com um monstro que esta atacando Seul.


NEVE NEGRA
(Nieve Negra, Argentina/Espanha, 2017) de Martin Hodara
Suspense. Homem volta a patagônia argentina para tratar de questões familiares e acaba descobrindo mistérios a respeito de seu irmão.